terça-feira, 24 de junho de 2014

A evolução dos conceitos da Administração nas últimas décadas - 1970 a 1990 - Parte I

Os cenários empresariais evidenciam que o formato do emprego atual, da carteira assinada, será cada vez mais escasso. A partir da última crise da economia mundial, o que já era bastante claro ficou mais claro ainda: é preciso fazer mais com menos!

A era de torneiras abertas acabou. Qualquer investimento feito hoje será muito bem avaliado na relação custo/benefício/retorno. E é essa relação que tem a chave do cofre de onde sairão os projetos.
Vamos analisar a evolução da Administração nas últimas décadas e refletir sobre as mudanças provocadas e, principalmente, como nos saímos desde então.

O texto a seguir foi construído em cima de uma matéria da Revista Exame do ano de 2001.

A evolução dos conceitos da Administração nas últimas décadas

Reengenharia, Downsizing, Benchmarking, Qualidade total, Tecnologia da Informação, Gestão do Conhecimento. Eis alguns dos conceitos, fatos e até enganos que marcaram a trajetória da administração e dos negócios nas ultimas três décadas.

Nas ultimas décadas, homens (muitos) e mulheres (ainda poucas) de todo o mundo vêm tentando o que muitos consideram impossível: transformar a gestão dos negócios numa espécie de ciência. Nestes 30 anos, uma infinidade de teorias e de teóricos surgiu. Algumas teorias marcaram época, mudaram rumos, transformaram a vida das empresas e, sobretudo, das pessoas que fazem o mundo dos negócios. Muitas provaram ser erradas e absurdas. Algumas foram mal compreendidas. Todas, de alguma forma, fazem parte da historia recente das corporações.

Nos anos 70 e 80, essas estórias retratam a busca pela melhoria da produtividade. É uma era marcada pelo kanban, celebrizado no sucesso da japonesa Toyota, e pelo surgimento de estruturas hoje banais, como as centrais de distribuição. Peter Drucker, o pai da administração moderna, foi o primeiro a vislumbrar o que viria depois, nos anos 90: as teorias se voltam para bens intangíveis, como a gestão do conhecimento e o relacionamento com os clientes. É também a decada dos gurus e do culto a grandes executivos, cuja personificação máxima é Jack Welch, o homem que durante 20 anos comandou a GE, e do domínio da tecnologia. Para onde olhar daqui para frente? Muito provavelmente, para as pessoas. Os trabalhadores do conhecimento serão avaliados e valorizados de acordo com sua habilidade de criar, imaginar, julgar e construir relacionamentos.

1970

- O conceito da teoria das filas, técnica criada pela indústria americana para calcular o aumento da capacidade de produção, quando a ociosidade se aproxima de 10%, chega ao Brasil.

- Saldo de caixa negativo é a maior ameaça ao prestigio de administradores financeiros. Para ajudá-los, os americanos criaram um método simples, o cash flow. Surge o velho e bom fluxo de caixa.

1975

A primeira entrevista de Exame com Peter Drucker, o pai da administração moderna, então um jovem de 65 anos, feita em sua casa, em Claremont, na Califórnia. Durante a entrevista, vez por outra um despertador tocava. Era hora de Drucker regar as roseiras de seu quintal. Um de seus ensinamentos tornou-se uma espécie de mandamento permanente do capitalismo: “O mercado é definido pela demanda, não pela oferta”. Em outra passagem, ele alerta para o surgimento da globalização: “Todos os homens de negócios tem de estar atentos ao fato de que existe uma economia mundial, por mais local e restrito que seja o mercado de seus produtos”.

1977

A diversificação surge como alternativa para o crescimento. Duas décadas depois, o termo estaria praticamente enterrado. A palavra de ordem passaria a ser o foco.

1978

É o início da disseminação do conceito de planejamento estratégico, divulgado pelo consultor americano Igor Ansoff.

1981

A análise de valor, um método para eliminar custos supérfluos na elaboração de produtos, torna-se popular entre as empresas brasileiras.

1982

A ABB publica o segundo balanço social no país, numa época marcada por greves e pela tensão nas relações entre sindicatos e empresas. Plantava-se a semente do que viria a ser conhecido como responsabilidade social corporativa.

O desempenho de empresas japonesas como Toyota e Sony ajudam William Ouchi, professor de administração da Universidade da Califórnia, a vender mais de 1 milhão de exemplares do livro Teoria Z, traduzido em 13 idiomas, e a ministrar palestras em todo o mundo, inclusive no Brasil. O conceito prega a criação de empresas Z – nascidas no Ocidente, mas com características da gestão japonesa, como emprego duradouro e responsabilidades coletivas.

Dois obscuros funcionários da McKinsey, Tom Peters e Robert Waterman, inauguram a era dos gurus da administração com o lançamento do livro In Search of Excellence (traduzido no Brasil como Vencendo a Crise). Cinco milhões de exemplares foram vendidos em tempo recorde. Os executivos estavam ávidos por conhecer as razões do sucesso das companhias mais bem administradas dos Estados Unidos. A IBM, que tempos depois quase iria à falência, era onipresente em suas páginas. Quase 20 anos depois, Peters viria a público para dizer que havia falseado alguns dados presentes no livro. O que o mais espalhafatoso dos gurus não faz para continuar na berlinda. . .

1983

O artigo “O que muda (e o que se ganha) com o kanban” apresenta a prática japonesa do just-in-time, que até hoje ajuda a reduzir estoques nas fábricas. A busca por produtividade se transformaria em febre.

1984

Os pallets – esses banais recursos das linhas de produção – são usados por apenas 30% das empresas brasileiras.

1988

A qualidade total surge como uma religião no meio corporativo. O Japão, país que quase destruiu a indústria automobilística dos Estados Unidos, é sua meca. E os americanos W. Edwards Deming e Joseph Juran, seus grandes missionários. Seu mantra, nunca contestado desde então: “Fazer certo desde a primeira vez”.
  
1990

A administração participativa é abordada numa reportagem de capa da Revista Exame. Aparecem os primeiros sinais de que as fronteiras internas cairiam e de que o poder nas empresas sairia das mãos de indivíduos para as de grupos de trabalho

Leia a Parte II

  

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Papel estratégico ainda é desafio para RH´s

Há pelo menos 10 anos, pelas minhas andanças como Consultor ou minhas andanças no mundo corporativo, que ouço e/ou leio sobre o tema "RH Estratégico". A matéria abaixo é desse mês, portanto, "fresquinha". Ao lê-la vocês terão um sentimento que "já assistiram esse filme"! Não importa, o conteúdo é bom e "vale a pena ler de novo"!

Ser cada vez mais estratégica para os negócios passou a ser a principal missão da área de recursos humanos nas organizações, em um cenário de crescente internacionalização das economias, fusões e aquisições. Mas uma pesquisa da consultoria Hay Group com 1.400 companhias de 80 países indica que dois terços dos profissionais da área consultados não consideram que exercem essas novas tarefas plenamente bem.

“Quando perguntamos se o RH tem de ter um papel estratégico, os líderes das organizações dizem que sim. Mas quando perguntamos se ele exerce esse papel, tanto gestores quanto profissionais da área acham que não”, diz a diretora do Hay Group, Vanessa Fernandes.

O RH, segundo ela, ainda tem uma atuação muito mais voltada para procedimentos técnicos de pessoal em grande parte das organizações. Na mais avançadas, no entanto, duas preocupações são crescentes: inovação e pessoas. “As empresas se diferenciam pelo foco no capital humano, olham para as pessoas como algo que vai fazer a diferença para o negócio.”

O rápido crescimento do Grupo Fleury na última década fez com que a organização adotasse, no ano passado, uma série de medidas para aumentar a capacidade de atrair e reter colaboradores. “A empresa fez mais de 25 aquisições, e nossos processos sofreram um pouco. Oitenta por cento dos nossos colaboradores têm contato direto com os clientes, e 70% dos nossos custos são com gente, o que torna nosso desafio maior ainda”, diz o diretor executivo de pessoas, estratégia, inovação e sustentabilidade da companhia, Marcelo Cardoso.


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quarta-feira, 4 de junho de 2014

Como contratar melhor e construir boas equipes em TI

Sandra Gittlen, NetworkWorld/EUA

A decisão de contratações pobres em TI pode comprometer os orçamentos, o ânimo dos outros trabalhadores e o futuro de uma empresa. Aceitar currículos irrelevantes para contratar um candidato longe do ideal, porque o trabalho está acumulando, é um dos clássicos erros de contratação que minam o
desempenho dos gestores.

Existem algumas medidas críticas que as empresas devem adotar para estancarem as más contratações - a mais importante é jogar fora a ideia de que contratar é algo basicamente instintivo.

Para ajudar a evitar desastres, identificamos oito erros comuns na contratação e dicas para evitá-los.

1. Postar uma descrição de vaga mal escrita No momento em que as empresas percebem que precisam de mais pessoal de TI, muitas vezes já estão sobrecarregadas. Isso pode levar os gestores a correrem, serem simplistas na descrição da vaga ou delegarem a tarefa para a equipe de RH.

"O RH nunca será tão atualizado sobre requisitos [relevantes] como a TI. Se concentram demais em habilidades e anos de experiência", diz Mark Herschberg, diretor da empresa de consultoria Consulting White Knight.

As descrições de vagas pouco detalhadas e o tratamento inadequado da cultura da empresa e do departamento podem gerar mais trabalho depois, acrescenta Herschberg.

Rachel Russell, diretora de marketing da TEKsystems, recomenda ainda priorizar cinco características mais desejadas para cada posição e sua organização geral. "Embora possa ser terapêutico escrever toda habilidade possível e atributos que você gostaria em um novo contratado, esperando encontrar alguém que preencha a longa lista de critérios, o melhor é fazer uma auditoria interna de seus empregados bem-sucedidos e listar apenas 5 atributos que você considera que faltem ou que gostaria de reforçar.

É possível encontrar candidatos com algumas habilidades, mas não todas. Então, é preciso esquecer a ideia de identificar todas as características em uma pessoa. Isso gera a contratação de dois ou mais profissionais para atender as necessidades da organização.

Outra providência importante é atualizar aquela boa descrição da vaga que você fez no passado, com sucesso. "Certifique-se de que a atual descrição da vaga não é a mesma que você usou há 10 anos para a mesma posição e acha que o RH acha que será atraente para os candidatos, descrevendo projetos
interessantes e regalias", diz Tracy Cashman, sócio e gerente geral da TI da divisão de pesquisa da consultoria WinterWyman, de Boston.

2. Ser hiper-focado em habilidades técnicas

Na contratação de gerentes, RH e recrutadores podem cair na armadilha de tentar contratar candidatos com base unicamente em habilidades técnicas, em vez deve enfatizar traços comportamentais, tais como a capacidade do candidato para aprender, habilidades para resolver problemas, nível de adaptação e capacidade para o pensamento inovador e colaboração.

Singh recomenda incorporar técnicas de entrevista que avaliam habilidades sociais, tais como a forma como a forma com a qual os candidatos vão lidar com cenários comuns na empresa, dando a esses resultados o mesmo peso das habilidades técnicas nas decisões de contratação. As empresas devem procurar avaliar a capacidade de prestação de serviço aos clientes internos e externos, a solução de problemas e as habilidades de comunicação dos candidatos.

A capacidade de ajustar-se também é importante. "Uma organização deve assegurar que o candidato tenha aptidão social adequada para a rápida assimilação por parte da equipe, a fim de causar um impacto imediato", diz Joel Capparella, vice-presidente da empresa de outsourcing Yoh. A química da equipe é provavelmente um dos aspectos mais importantes da contratação. Não importa o quão competente o candidato seja, se for de difícil trato será como uma maçã podre que pode arruinar o moral de uma equipe.

3. Ter uma visão de curto prazo

Os gerentes de contratação, por vezes, recrutam para as suas demandas imediatas em vez de pensar nas habilidades que vai precisar ter no futuro. Por exemplo, focam em encontrar desenvolvedores Java em vez de olhar para profissionais de TI com um amplo conjunto de habilidades de desenvolvimento web.

"Líderes tentam encontrar uma agulha em um palheiro, porque eles acreditam que a falta de determinada habilidade pode quebrar a empresa", diz Amelia Generalis, vice-presidente de RH da SAP.

A visão de curso prazo não só é míope, como também dificulta a obtenção de um pool de talentos. A criação de uma visão de longo prazo para a posição atrai candidatos que poderiam ser melhores para toda a empresa. 

Uma abordagem possível para atender um problema pontual é treinar os atuais funcionários para suprir as lacunas de competências imediatas.

4. Apressar o processo de contratação

Quando o trabalho está se acumulando, é tentador para dizer "sim" a um candidato com base na principal necessidade do projeto.

"É fácil desconsiderar que, no processo de recrutamento, a paciência é uma virtude", diz Russell, da TEKsystems. "Não importa o quão tentador seja, não comprometa a qualidade por conta da velocidade."

Jeff Gordon, fundador da agência de marketing online Interactive99 e ex-recrutador da indústria, concorda. "Sua decisão de contratação é a decisão mais importante. Se uma empresa escolhe a pessoa errada, essa
decisão pode ser mais dolorosa do que permanecer com a vaga em aberto", diz ele.

Ele acredita que as empresas devem avaliar pelo menos três candidatos para uma melhor compreensão de seus pontos fortes e fracos. E se identificarem bandeiras vermelhas no processo de triagem, não passar por cima delas.

"Vale a pena esperar para fazer uma grande contratação", diz Gordon.

5. Prolongar demais o processo de contratação

Mas levar muito tempo para preencher uma vaga pode ser tão prejudicial quanto fazer contratações precipitadas - especialmente quando determinados cargos de TI, tais como desenvolvedores, estão com demanda aquecida.

"Nosso processo de entrevista para talentos de TI é longo, com entrevistas que podem envolver até quatro passos", diz Joanne Johnson, diretor de recrutamento para a integradora Force 3.

Ela reconhece que esta abordagem tem seu preço, como a desistência dos funcionários e pedidos de demissão de funcionários descontentes.

Para garantir que a empresa tenha condições de atrair candidatos de alto nível, e contratá-los, Johnson educa gerentes de TI a como agilizar entrevistas e a tomada de decisão.

6. Desconsiderar os talentos internos

O melhor candidato para o trabalho pode estar bem debaixo do seu nariz. No entanto, você só saberá se a empresa tiver um bom programa de plano de carreira para seus funcionários, diz Russell.

"Todo trabalhador gosta de ter uma visão de como ele pode se desenvolver e progredir. Mostrar as oportunidades de crescimento que existem dentro da empresa vai ajudar a manter e a revelar talentos", diz ela.

A SAP usa seu software de gestão de capital humano SuccessFactors para acompanhar as competências dos trabalhadores. Mapeia as habilidades internas disponíveis e os requisitos de projeto para identificar candidatos às promoções ou transferências. Funcionários são capazes de adicionar habilidades, tais como gestão de projeto ou uma nova tecnologia, garantindo perfis sempre atualizados.

Amelia Generalis diz que mapear o capital humano da empresa equivale a ter um inventário de seus bens tecnológicos, acrescentando que o software da empresa proporciona visibilidade única sobre os recursos existentes para que você possa treinar a equipe interna em tempo de liderar projetos futuros.

O mapeamento é uma ferramenta indispensável também na retenção de talentos. Os gestores precisam encontrar formas de manter os bons profissionais sempre motivados, para que eles fiquem menos propensos a aceitar outras ofertas de emprego.

7. Não educar os recrutadores sobre suas necessidades de contratação Um grande erro é ter recrutadores não familiarizados com a mais recente tecnologia ou mudanças no estilo de trabalho, acumulando currículos demais e/ou inapropriados nas mesas dos gestores.

"Muitas vezes os recrutadores vão fazer perguntas técnicas e tomar notas sem compreender verdadeiramente as respostas, o que os impede de avaliar bem a qualificação do candidato", diz Gordon, da Interactive99.

Os gerentes de contratação devem se reunir regularmente com os recrutadores e estar disponíveis para atualizá-los conforme necessário. Além disso, as empresas devem garantir que os recrutadores não dependam fortemente da otimização das ferramentas de busca e procuras de palavras-chave em sites de
carreira e mídias sociais para identificar o uso excessivo perspectivas.

Um recrutador deve ter profundo conhecimento da indústria, da organização e dos requisitos específicos da posição aberta.

8. Não compartilhar sua vaga com a sua rede social 

A maioria dos executivos de TI - e seus subordinados - participam de fóruns online, grupos de relacionamento profissional e redes sociais. Estes são ótimos canais para identificar candidatos altamente qualificados e obter referências.

Os gerentes de TI que tendem a delegar o preenchimento da vaga para o RH, podem ter mais sucesso partilhando a vaga entre seus contatos online e amigo, e/ou oferecendo um bônus para funcionários que façam o mesmo. A rede de contatos, também conhecida como networking, tende a ser o meio mais
eficiente para quem busca a recolocação profissional.

Há outras dicas igualmente relevantes para evitar uma contratação desastrosa. Profissionais da a empresa de recrutamento Robert Half recomendam que antes de iniciar a busca por um profissional, o gestor
responda às seguintes questões voltadas a mapear o perfil mais adequados da vaga: quais as metas da empresa (em curto, médio e longo prazos) e quantas pessoas serão necessárias para atingi-los? Quais as características técnicas e pessoais necessárias? Quais as principais atividades esperadas do
profissional?

CIOs estão se esforçando para encontrar e contratar pessoas com o equilíbrio perfeito entre visão de negócios, conhecimento de banco de dados e eficaz habilidade de comunicação. "Todo mundo quer essa pessoa, mas é difícil encontrá-la", comenta John Reed, diretor-executivo sênior da Robert Half
Technology, empresa de recursos humanos de TI. "Sua demanda supera a oferta e é preciso ir além para encontrar os candidatos adequados", justifica.

terça-feira, 3 de junho de 2014

RHeleitura - Pessoas, Cargos e Competências, um pitaco!

A adoção de um novo nome para produtos conhecidos podem torná-los produtos novos. Assim foi feito com um “novo” sistema denominado Sistema de Gestão de Pessoas por Competências, fartamente discutido e debatido por especialistas de toda ordem. O RH sempre conviveu com a palavra competência na definição das especificidades dos cargos quando da elaboração de planos de cargos, carreiras e salários, na elaboração da metodologia e nos conceitos quando da construção dos sistemas de avaliação de desempenho e nas análises de perfil e entrevistas quando dos processos de recrutamento e seleção. Ocorre que, tudo isso, atrás de suas muralhas. De forma mais ampla, refinada, investigativa e sustentável, todo esse processo saiu do universo de RH e passou a ser um mecanismo chave de transformação das instituições. Representou um passo à frente para uma gestão integrada dos recursos humanos. 

As competências entraram na agenda do primeiro executivo e a área de RH 
passou a frequentar a sala do presidente.

Dito isso, vamos fazer uma releitura dos sistemas tradicionais de remuneração. Um dos pontos discutíveis e abordados pelos processos de gestão de competências é a substituição dos sistemas tradicionais de remuneração, baseados no cargo e ainda muito praticados, por um sistema baseado nas competências individuais. As deficiências e desvantagens, cantadas em prosa e verso pelos aplicadores do novo modelo, são bastante discutíveis se analisarmos toda a extensão, formulação, administração e manutenção de um sistema tido como tradicional. Os conceitos emanados nos modelos tradicionais, que estão disponíveis na praça, são inteligentes se conseguirmos ir além deles. Particularmente, eu prefiro não tratar como deficiências e desvantagens, quando o discurso é sobre "como é bom o novo modelo". Prefiro tratar como o aperfeiçoamento e a criação de novas propostas de administração de cargos, pessoas, carreiras e remuneração. Daqui alguns anos, podemos estar lendo na internet as deficiências e desvantagens do modelo de gestão por competências. A partir do momento que criamos e aplicamos um modelo de gestão, falando de uma maneira geral, quando da validação do mesmo, o modelo é bom para aquele momento e pronto. 

Não gosto de falar toda hora em deficiência, restrição, desvantagens e coisa e tal. 
Gosto é da palavra inovação sustentável.

O modelo de gestão por competências foi construído e idealizado a partir dos modelos tradicionais de remuneração. Mesmo com as críticas recebidas pela falta de flexibilidade, de estar atrelado ao mercado salarial, de estar centralizado na área de RH impedindo que os gerentes possam opinar nas decisões salariais, desalinhamento com a estratégia da instituição privilegiando as ligações hierárquicas em detrimento do foco nos processos críticos e no cliente e incentivo ao carreirismo entre outros, a aplicação dos sistemas tradicionais sustenta uma disciplina organizacional e legitima o equilíbrio e as decisões nas movimentações salariais verticais e salariais.

Todos os itens acima citados foram extraídos de comentários de especialistas da área. São dogmas? Não, claro que não.

Tudo depende da maneira como você e sua instituição tratam a questão!

O modelo de gestão de competências também pode estar atrelado às decisões do RH, “o dono do projeto”. Pode estar desalinhado dos processos críticos e, principalmente, tornar o carreirismo mais forte ainda se levarmos em conta que “premia e incentiva” as individualidades. As limitações ditadas aos modelos tradicionais de remuneração existem de uma forma mais ampla, se sua instituição permitir. Agora, uma coisa é fato, aqueles comitês de antigamente, chatos e de longa duração, para se avaliar cargos definitivamente não tem mais espaço no mundo corporativo de hoje, portanto, esqueça-os. Antes de começar a pensar um pouco sobre isso, lembre-se que todo e qualquer instrumento de avaliação de cargos que você conhece ou ouviu falar é comparativo.

Muito se fala na substituição da palavra cargo pela palavra pessoa quando se trata de gestão por competências. Certa vez, ouvi de um profissional de RH a seguinte frase: “Em nossa empresa nós não damos muita importância para descrição de cargo. É fora de moda”.  Como lidar com a Isso 9001/6.2 se não conhecermos as competências/pré requisitos de ocupação, necessários para a execução dos processos? Como vamos aplicar programas de treinamento e desenvolvimento adequados e necessários para a aquisição, manutenção e/ou atualização dessas competências/pré requisitos? 

A afirmação a seguir consta do rol de tentativas que não se têm apresentado como as melhores soluções para aperfeiçoar o tratamento dos sistemas tradicionais de remuneração, segundo alguns especialistas: “Muitas vezes, na tentativa de agrupar várias funções numa mesma descrição de cargo, acaba-se por não descrever bem nenhuma das funções agrupadas (Emerson, 1991:40)”. Gente! É só fazer direito! É só fazer bem feito!

Quando sua instituição vai abrir uma filial ou expandir as linhas de produção e/ou administração, você RH, anuncia que precisa de dois josés, quatro marias, seis antonios e duas suzanas ou você anuncia que precisa de dois engenheiros mecânicos, quatro analistas de sistemas, seis assistentes administrativos e duas secretárias? Engenheiro Mecânico com qual especialidade e conhecimentos, Analistas de Sistemas com quais domínios de TI? Assistentes Administrativos com quais habilidades? Secretárias com o domínio de quais idiomas?



Carlos Alberto de Campos Salles
Consultor de Recursos Humanos
Remuneração – Desempenho – Competências
CA & RH Consultoria Ltda.
(11) 99323 – 7923

São Paulo / SP

terça-feira, 27 de maio de 2014

O que Você pode aprender com Rafa Nadal!

O talento de Rafa Nadal, tenista número 1 do mundo, está nas salas de aula da Escola de Negócios IESE em vários países. “As lições que se podem aprender sobre a forma como Rafa Nadal administrou sua carreira esportiva ‘são universais’ e podem ser aplicadas tanto a presidentes de grandes empresas como a jovens profissionais que estão começando no mundo corporativo“, garante o autor do case e professor Santiago Álvarez de Mon. Abaixo estão 10 lições que estudantes, executivos e homens e mulheres de negócios podem tirar da história de sucesso de Rafa Nadal.

Lições do número um do mundo

Mas o que Você pode aprender com Rafa Nadal? Para Santiago Álvarez de Mon, há dez lições fundamentais:

1. Talento: toda pessoa nasce com um talento diferente. O segredo está em escolher uma profissão que permita desenvolvê-lo. Embora o talento esteja marcado pela genética, é necessário adestrá-lo para que floresça com força. Rafa Nadal começou a jogar tênis com 5 anos, aos 7 ganhou seu primeiro campeonato, aos 12 foi eleito campeão da Europa em sua categoria e, aos 22, tornou-se o número um do mundo.

2. Caráter: o tenista espanhol é um exemplo de como um caráter forte e decidido pode impulsionar a carreira até o topo. Junto com o talento, o caráter é o segundo motor de uma dupla invencível.

3. Aprendizagem: no esporte, assim como na empresa, é preciso ter uma relação natural com o erro e estar disposto a se esforçar. Em Nadal, nem tudo é técnica, mas também controle mental e inquietação para aprender sempre. Até desbancar Federer como número um do mundo, o espanhol foi derrotado em várias ocasiões por seu rival.

4. Valores: antes de chegar a ser o número um, foi preciso trabalhar valores como a humildade, para que houvesse raízes mais sólidas para encarar o sucesso, mas também para saber diferenciar a pessoa que está por trás do personagem esportivo e midiático.

5. Equipe: um tenista é um exemplo de competidor solitário na quadra, mas há sempre uma equipe que o apóia. O treinador ou o empresário exercem o papel de assessores fora das quadras, mas uma vez iniciada a partida, a responsabilidade recai integralmente sobre o tenista, assim como ocorre com o executivo. Na solidão do poder, há sempre a companhia de alguém nas sombras.

6. Mentalidade positiva: há esportistas que perdem uma partida mesmo antes de jogá-la. O segredo está em ver o problema e convertê-lo em oportunidade, embora para isso, além de perspectiva, seja preciso também exercitar a força mental, para dar o melhor de si nos momentos mais difíceis.

7. Entorno: o entorno familiar é essencial não só na hora de lembrar a uma estrela midiática quem ela é e de onde vem, como também nos momentos de formação de sua personalidade.

8. Treinador: uma pessoa de talento pode ser a última a se dar conta do talento que tem. O trabalho de um bom treinador consiste em identificá-lo, selecioná-lo e adestrá-lo corretamente para que ele se desenvolva. No caso de Nadal, foi seu tio Tony quem descobriu o talento do garoto quando ele tinha apenas 3 anos, tornando-se posteriormente o treinador número um do mundo.

9. Pressão: a única forma de suportar a pressão de uma competição pesada é relativizar e saber que há algo mais a se ganhar além de um troféu.


10. Colaboradores: o risco de um alto executivo ou de um esportista de elite é o de se cercar de gente que só diz aquilo que ele quer ouvir.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Pesquisa de Clima é com Você RH!

Entendemos que ao longo da estória de uma instituição, problemas foram surgindo e problemas foram sendo resolvidos. A forma como os problemas foram sendo resolvidos e no entender da Direção, de forma satisfatória, contribuíram para formar a cultura da instituição de “como lidar e tratar tal tipo de situação”. Com o caminhar da humanidade, soluções antigas podem não ser mais adequadas. Daí, novas percepções de cultura e clima organizacional vêm à tona, para novas discussões e abordagens. A população muda. Os clientes mudam. A sociedade muda. A concorrência aperta. E por aí vai! 

Uma pesquisa de satisfação e clima organizacional é um instrumento voltado para a observação e análise da “temperatura” do ambiente interno de uma instituição. Reflete a percepção de seus integrantes no momento motivacional da realização da pesquisa. Por isso exige toda atenção de quando realizar uma pesquisa, para não cair no erro de “pergunta com resposta encomendada”. Ao contrário dos processos de avaliação de desempenho, quando se ensina que o correto é a análise de um histórico passado do funcionário, para entender melhor o presente, a pesquisa de satisfação interna e clima organizacional está concentrada na percepção atual dos respondentes.

O momento centrado é “hoje”!

Uma pesquisa de satisfação interna e clima organizacional é, essencialmente, um instrumento de diagnóstico frente às políticas e práticas de gestão de recursos humanos ao possibilitar o conhecimento, a análise, a intervenção, o acompanhamento e o monitoramento do grau de comprometimento dos funcionários (motivação, atividades em equipe, interação das equipes, comunicação institucional, estilos de autoridade e liderança, instalações, equipamentos e materiais de trabalho, observância saudável de atos normativos internos,...).

A iniciativa da instituição de aplicar uma pesquisa de satisfação interna e de clima organizacional por si só já é um fator encorajador e motivador, pois significa que “queremos ouvir você” e cria nos funcionários sintomas de mudanças ao possibilitar o mapeamento do momento motivacional (pontos fortes, deficiências, expectativas e aspirações).

Uma condição básica para o êxito e a prática de ações bem sucedidas de gestão da satisfação interna e do clima organizacional, fundamenta-se na qualidade das informações recebidas pela investigação realizada. Daí, aquela pesquisa emprestada de seu vizinho pode não ser, necessariamente, válida em sua instituição, apesar das afirmações/perguntas serem, de uma forma genérica, padronizadas. É preciso extrair da forma mais espontânea e honesta possível dos respondentes, a maneira pela qual os diversos aspectos do ambiente organizacional são percebidos.

Um dogma tem que ser obrigatoriamente cumprido: o rigoroso anonimato dos respondentes e o conhecimento destes que, efetivamente não serão identificados. Ao mesmo tempo, que a pesquisa é um instrumento vigoroso de diagnóstico, quando mal percebida pelos respondentes, torna-se um instrumento, também vigoroso, contra a credibilidade da instituição. “Um verdadeiro tiro no pé”.

Quando bem extraído, identificado e analisado, o diagnóstico é fundamental para a formulação e estruturação de ações eficazes de melhoria daqueles pontos/dimensões que necessitam de intervenção, uma vez que se apresentaram de forma insatisfatória. Alguns autores sugerem a investigação do ambiente externo como fator de influência no comportamento dos funcionários (convivência familiar, lazer, despesas familiares, situação financeira,...). 

Ninguém melhor do que o pessoal de RH para saber o que e quando investigar.

A formulação das afirmações/perguntas (chuva de idéias), a forma como deverão ser escritas para o fácil e preciso entendimento (evitar dupla interpretação) e os pontos/dimensões a serem “atacados” (estilos de liderança e autoridade, sentimento de identidade corporativa, políticas de recursos humanos, relações internas – setorial e coletiva, processos de comunicação interna e estrutura e recursos de trabalho por exemplo).

Ao começar a formular sua pesquisa de satisfação interna e clima organizacional, troque idéias, sentimentos e percepções do ambiente interno com os gestores da instituição. Explique bem o significado da pesquisa e de como deverão ser coletadas e tratadas as informações. Todo e qualquer resultado terá que gerar, obrigatoriamente, estratégias de como comunicar (devolutiva aos funcionários) e de como a instituição pretende agir para corrigir/minimizar os aspectos considerados críticos (fora da zona de conforto).

Com a aplicação da pesquisa os gestores poderão conhecer, entre outros itens, as áreas saudáveis dentro do modelo de gestão da instituição, a identificação das oportunidades de melhoria (áreas vulneráveis dentro do modelo de gestão da instituição), o potencial de risco de rotatividade setorial e/ou coletiva dos funcionários, os estilos predominantes (positivos/negativos) de liderança e autoridade, a identidade sentimental do funcionário com a instituição e qual a temperatura da instituição sob a ótica dos pontos/dimensões analisadas.

Uma vez realizada a pesquisa de satisfação interna e clima organizacional, é importante tornar-se um hábito pesquisar a temperatura interna. Em períodos regulares, pratique sua pesquisa, confronte resultados, componha uma série histórica e divulgue melhorias alcançadas.

“O gestor do clima deverá centrar seus esforços em ações que produzam uma transformação profunda e duradoura no ambiente de trabalho. Não existem fórmulas pré-fabricadas, o programa de intervenção deverá estar de acordo com a vontade das pessoas do lugar, com o estado dos componentes do clima da instituição e com os objetivos que se queira alcançar” (Brunet).

Para finalizar esse artigo cito um poema de John H. Rhoades

Faça mais do que existir: viva.

Faça mais do que tocar: sinta.

Faça mais do que olhar: observe.

Faça mais do que ler: absorva.

Faça mais do que escutar: ouça.

Faça mais do que ouvir: compreenda.

Carlos Alberto de Campos Salles
Consultor de Recursos Humanos
 Independente
Remuneração – Desempenho – Competências


São Paulo / SP