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quinta-feira, 15 de março de 2012

Meus motivos para deixar o Goldman Sachs


O artigo a seguir, exposto mais em tom de desabafo por um ex executivo de banco, nos leva a pensar nas "core competencies" que as empresas apregoam e que os novos funcionários recebem em forma de cartilha. O mundo corporativo dos bancos, em parte, pode estar refletido no artigo pois sabemos que a pressão diária por resultados e cumprimento de metas, geralmente apresenta-se de forma mais "agressiva" que nas empresas em geral. Porém, não é um tratado científico e nem um dogma do tipo "é assim que a coisa funciona". Não é para recém formados não participarem mais de processos seletivos do Goldman pois como se diz, "o Goldman é maior que uma voz de um ex funcionário". Artigo bom de se ler e tirar nossas próprias conclusões.
Fonte: O Estado de S. Paulo - 15/03/2012

Para ex-executivo do banco, mudanças na cultura de negócios e desvalorização do cliente estariam na raiz da sua insatisfação

Hoje é meu último dia no Goldman Sachs. Depois de passar quase 12 anos - primeiro como estagiário, quando ainda estava em Stanford, e depois em Nova York, onde passei dez anos, e então em Londres -, creio que já permaneci tempo o bastante para compreender a trajetória da sua cultura, das pessoas que a integram e da sua identidade. E posso dizer que o ambiente atual é o mais destrutivo e tóxico que já vi.

Para expor o problema nos termos mais simples, o interesse do cliente continua a perder espaço na maneira com a qual a firma opera e na sua forma de pensar em ganhar dinheiro. O Goldman Sachs é um dos maiores e mais influentes bancos de investimento do mundo, e ocupa uma posição demasiadamente central nas finanças globais para se dar o luxo de continuar agindo dessa maneira. A firma se afastou tanto do lugar que conheci logo que deixei a faculdade que tornou-se impossível para mim dizer com a consciência limpa que me identifico com aquilo que o banco representa.

Isso pode surpreender o público cético, mas o aspecto cultural sempre foi uma parte vital do sucesso do Goldman. Essa cultura girava em torno do trabalho em equipe, da integridade, de um espírito de humildade e do princípio de atender bem aos nossos clientes. A cultura era o ingrediente secreto que tornava a empresa diferente, permitindo que ela conquistasse a confiança dos clientes por 143 anos. Não se tratava apenas de ganhar dinheiro; isso não manteria a firma funcionando por tanto tempo. Era algo que tinha a ver com orgulho e com a fé na organização. Sinto dizer que olho ao redor hoje e não vejo nenhum traço da cultura que me levou a amar o trabalho que fiz durante anos. Não tenho mais o orgulho nem a fé de antes.


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