A única maneira de fazer pressão verdadeira na enojada classe política brasileira é botar um milhão de pessoas ou mais em torno do congresso, em dia de trabalho interno. Ninguém entra e ninguém sai. Se o Galo da Madrugada consegue porque o Bloco do Pacotão não consegue? Só assim a intimidação viria. A turma do Congresso adorou esse feriadão de dez dias!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Pedreiros cinquentões se reciclam para não sair dos canteiros!


Desenvolvi um projeto para uma grande construtora que regularmente se depara com problemas de mão de obra. Não só de recrutamento e seleção como também de retenção. Aquele Pedreiro, Carpinteiro, Armador e outros cargos tão importantes em uma obra devem ser vistos sob a ótica de "Retenção de Talentos" pela Gestão de RH. Hoje no Brasil, temos um "apagão" geral de mão de obra praticamente em todos os segmentos e as empresas se voltam às práticas dos anos 80: Treinar e formar mão de obra. Há tempos que os profissionais de construção civil, "bons de serviço", voltaram aos canteiros de obras devido à escassez de mão de obra jovem disposta a trabalhar!

A matéria a seguir aborda bem o assunto:

O vigor da juventude e as vantagens de ser um nativo da era da informação e da informática fizeram da geração Y o grande objeto de desejo do mercado. Conceitos de gestão têm mudado para atender às suas urgentes – e inéditas – demandas; e empresas têm se flexibilizado ao máximo para ganharem o status de emprego dos sonhos para esses jovens prodígios.

Mas isso não significa que a boa e velha experiência tenha sido deixada de lado. É o que afirma a gerente-geral do projeto Doutores da Construção, Katia Matias. Essa iniciativa promove cursos a distância em materiais e processos na área de construção civil e já capacitou 53 mil profissionais. Desse contingente, 12% têm 55 anos ou mais. E é esse o número a ser comemorado. “Talvez esteja passando um pouco essa onda de supervalorização do jovem”, enxerga Katia ao analisar a porcentagem. “E eu vejo que agora, mesmo quando a gente fala do mercado para executivos, começa a se valorizar novamente quem tem experiência.”

A gerente analisa que os cerca de 6.500 profissionais seniores que já passaram pelos diversos cursos de treinamento do programa representam um fato relevante – sobretudo, quando observado o contexto no qual o número se apresenta. “O mercado de trabalho como um todo é um pouco cruel com relação às pessoas que estão numa faixa etária mais avançada”, avalia. “Geralmente são os jovens que têm oportunidade. “Mas esses profissionais mais seniores, que são aqueles que têm experiência, estão buscando a capacitação para poderem caminhar com esses jovens no mercado de trabalho.

Katia afirma ainda que, além de aquecido, o setor da construção civil está também entre os que mais têm demandado mão de obra qualificada. “E atualização dos conhecimentos aliada a uma maior experiência acaba sendo imbatível.” Ela completa que o aumento da expectativa de vida também tem feito esses profissionais reverem suas atitudes e decisões no momento que normalmente se aposentariam. “As pessoas ficam ativas por mais tempo”, diz. “Na verdade, em muitos casos, elas têm que continuar trabalhando.”

O valor da experiência

Para o pedreiro Adilson da Silva, de 55 anos, pendurar as chuteiras não está nos planos. Por isso procurou reciclar seus conhecimentos para agregar teoria à sua prática de 32 anos – e com isso se tornar um profissional que todo mundo ainda quer contratar. “Nunca me faltou trabalho por causa de idade, graças a Deus”, conta. “Mas já vi isso acontecer com colegas meus, e foi mais pela falta de conhecimento do que pela idade.”

Adilson afirma ter sentido a diferente de voltar ao canteiro de obras com algo a mais na bagagem além da experiência do dia a dia de trabalho desses anos todos. “Principalmente na fundação da obra”, exemplifica. “Durante o tempo em que fiz o curso do Doutores da Construção, eu estava para iniciar uma obra. Então já comecei esse trabalho com muito mais facilidade – coisas como impermeabilizar o alicerce, fazer o alicerce mais alto, essas coisas para mim foram super importantes.”
 E o pedreiro ainda vê ainda muito mais trabalho no futuro. “Eu acho que daqui para frente vai ser melhor”, acredita. “Porque agora eu posso repassar esses conhecimentos novos para os pedreiros e serventes que trabalham comigo.”

O engenheiro mecânico Sérgio Teixeira de Campos, de 62 anos, há duas décadas é dono de uma empresa de reformas. Para o empresário, a experiência é algo que ele não troca por nada – “Com tantos anos de prática, o que mais eu tenho é segurança naquilo que eu faço”, ressalta –, mas é algo que se complementa. “Quando um profissional estuda, melhora sua autoestima, ele se dá valor”, analisa. “Além disso, tem o benefício do conhecimento propriamente dito, que leva o profissional a procurar negócio, dinheiro. Então, não é também só massagear o ego, a pessoa quer entrar no mercado para ganhar dinheiro.”

Sérgio não concorda que haja um momento para um profissional se aposentar. Desde que se mantenha capaz de contribuir com seu trabalho. Esse é o seu caso, como diz. “Se eu estou trabalhando ainda nessa idade, das duas uma: ou eu preciso ou eu gosto. E no meu caso são as duas coisas”, brinca.

Doutores da Construção

O Programa Doutores da Construção atua promovendo o desenvolvimento da cadeia produtiva do setor da construção civil, por meio da qualificação dos profissionais da área com cursos em diversas áreas – como hidráulica, elétrica e acabamento, entre outras. “O foco da Doutores é a reciclagem profissional”, sintetiza Katia Matias. “A gente trabalha com aquele profissional que já tem uma experiência, que já atua no mercado, levando novidades em materiais, processos etc. Atualmente, das 241 lojas de material de construção credenciadas no projeto, em todo o Brasil, 109 funcionam também centros de treinamento.

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