segunda-feira, 26 de maio de 2014

Pesquisa de Clima é com Você RH!

Entendemos que ao longo da estória de uma instituição, problemas foram surgindo e problemas foram sendo resolvidos. A forma como os problemas foram sendo resolvidos e no entender da Direção, de forma satisfatória, contribuíram para formar a cultura da instituição de “como lidar e tratar tal tipo de situação”. Com o caminhar da humanidade, soluções antigas podem não ser mais adequadas. Daí, novas percepções de cultura e clima organizacional vêm à tona, para novas discussões e abordagens. A população muda. Os clientes mudam. A sociedade muda. A concorrência aperta. E por aí vai! 

Uma pesquisa de satisfação e clima organizacional é um instrumento voltado para a observação e análise da “temperatura” do ambiente interno de uma instituição. Reflete a percepção de seus integrantes no momento motivacional da realização da pesquisa. Por isso exige toda atenção de quando realizar uma pesquisa, para não cair no erro de “pergunta com resposta encomendada”. Ao contrário dos processos de avaliação de desempenho, quando se ensina que o correto é a análise de um histórico passado do funcionário, para entender melhor o presente, a pesquisa de satisfação interna e clima organizacional está concentrada na percepção atual dos respondentes.

O momento centrado é “hoje”!

Uma pesquisa de satisfação interna e clima organizacional é, essencialmente, um instrumento de diagnóstico frente às políticas e práticas de gestão de recursos humanos ao possibilitar o conhecimento, a análise, a intervenção, o acompanhamento e o monitoramento do grau de comprometimento dos funcionários (motivação, atividades em equipe, interação das equipes, comunicação institucional, estilos de autoridade e liderança, instalações, equipamentos e materiais de trabalho, observância saudável de atos normativos internos,...).

A iniciativa da instituição de aplicar uma pesquisa de satisfação interna e de clima organizacional por si só já é um fator encorajador e motivador, pois significa que “queremos ouvir você” e cria nos funcionários sintomas de mudanças ao possibilitar o mapeamento do momento motivacional (pontos fortes, deficiências, expectativas e aspirações).

Uma condição básica para o êxito e a prática de ações bem sucedidas de gestão da satisfação interna e do clima organizacional, fundamenta-se na qualidade das informações recebidas pela investigação realizada. Daí, aquela pesquisa emprestada de seu vizinho pode não ser, necessariamente, válida em sua instituição, apesar das afirmações/perguntas serem, de uma forma genérica, padronizadas. É preciso extrair da forma mais espontânea e honesta possível dos respondentes, a maneira pela qual os diversos aspectos do ambiente organizacional são percebidos.

Um dogma tem que ser obrigatoriamente cumprido: o rigoroso anonimato dos respondentes e o conhecimento destes que, efetivamente não serão identificados. Ao mesmo tempo, que a pesquisa é um instrumento vigoroso de diagnóstico, quando mal percebida pelos respondentes, torna-se um instrumento, também vigoroso, contra a credibilidade da instituição. “Um verdadeiro tiro no pé”.

Quando bem extraído, identificado e analisado, o diagnóstico é fundamental para a formulação e estruturação de ações eficazes de melhoria daqueles pontos/dimensões que necessitam de intervenção, uma vez que se apresentaram de forma insatisfatória. Alguns autores sugerem a investigação do ambiente externo como fator de influência no comportamento dos funcionários (convivência familiar, lazer, despesas familiares, situação financeira,...). 

Ninguém melhor do que o pessoal de RH para saber o que e quando investigar.

A formulação das afirmações/perguntas (chuva de idéias), a forma como deverão ser escritas para o fácil e preciso entendimento (evitar dupla interpretação) e os pontos/dimensões a serem “atacados” (estilos de liderança e autoridade, sentimento de identidade corporativa, políticas de recursos humanos, relações internas – setorial e coletiva, processos de comunicação interna e estrutura e recursos de trabalho por exemplo).

Ao começar a formular sua pesquisa de satisfação interna e clima organizacional, troque idéias, sentimentos e percepções do ambiente interno com os gestores da instituição. Explique bem o significado da pesquisa e de como deverão ser coletadas e tratadas as informações. Todo e qualquer resultado terá que gerar, obrigatoriamente, estratégias de como comunicar (devolutiva aos funcionários) e de como a instituição pretende agir para corrigir/minimizar os aspectos considerados críticos (fora da zona de conforto).

Com a aplicação da pesquisa os gestores poderão conhecer, entre outros itens, as áreas saudáveis dentro do modelo de gestão da instituição, a identificação das oportunidades de melhoria (áreas vulneráveis dentro do modelo de gestão da instituição), o potencial de risco de rotatividade setorial e/ou coletiva dos funcionários, os estilos predominantes (positivos/negativos) de liderança e autoridade, a identidade sentimental do funcionário com a instituição e qual a temperatura da instituição sob a ótica dos pontos/dimensões analisadas.

Uma vez realizada a pesquisa de satisfação interna e clima organizacional, é importante tornar-se um hábito pesquisar a temperatura interna. Em períodos regulares, pratique sua pesquisa, confronte resultados, componha uma série histórica e divulgue melhorias alcançadas.

“O gestor do clima deverá centrar seus esforços em ações que produzam uma transformação profunda e duradoura no ambiente de trabalho. Não existem fórmulas pré-fabricadas, o programa de intervenção deverá estar de acordo com a vontade das pessoas do lugar, com o estado dos componentes do clima da instituição e com os objetivos que se queira alcançar” (Brunet).

Para finalizar esse artigo cito um poema de John H. Rhoades

Faça mais do que existir: viva.

Faça mais do que tocar: sinta.

Faça mais do que olhar: observe.

Faça mais do que ler: absorva.

Faça mais do que escutar: ouça.

Faça mais do que ouvir: compreenda.

Carlos Alberto de Campos Salles
Consultor de Recursos Humanos
 Independente
Remuneração – Desempenho – Competências


São Paulo / SP

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Pesquisa Salarial - Comparando laranjas com melancias!

Quando concluímos um projeto de implantação de um Plano de Cargos e Carreiras, o passo seguinte é a definição da política de sustentabilidade e a construção da arquitetura de remuneração (salário base e adicionais) a ser praticada. Apesar das ressalvas que atingem os sistemas de cargos e salários tradicionais, no mundo atual de Gestão de Pessoas, cabe ressaltar que eles se mostram muito importantes para a construção de uma base sólida de estruturação dos grupos ocupacionais e para permitir às empresas, em um segundo momento, incorporar formas mais estratégicas de remuneração.

O objetivo desse artigo é demonstrar de forma clara e objetiva, quais são os principais passos e cuidados para a realização de uma pesquisa salarial e evitar que se pague por uma laranja o que se paga por uma melancia!

Dependendo da empresa e de sua situação em relação ao mercado provedor, técnico e geográfico onde opera, a prática de pesquisa externa de remuneração pode ser um instrumento opcional de implantação, a ser aplicada no momento que a empresa julgar oportuno e necessário. Nesse caso, na conclusão do projeto, aplicam-se os valores do mercado interno nos ajustes da equação que irá definir a estrutura salarial proposta.

Na elaboração de uma pesquisa e na definição das empresas a serem convidadas, devemos considerar:

- Empresas que operam na mesma área territorial,

- Empresas do mesmo tamanho ou com as mesmas características organizacionais,

- Empresas que atuam no mesmo ramo de negócio,

- Empresas cuja política salarial e práticas de gestão de pessoas sejam de interesse.

Uma empresa convidada que pratique uma política salarial mais ousada que a grande maioria das participantes, corre o risco de ter seus salários indicados eliminados, com a aplicação das linhas de corte aplicadas na tabulação. O mesmo risco pode ocorrer, quando a política salarial for caracterizada como menos ousada. É preciso atenção a esses detalhes ao convidá-las.

Hoje é prática comum o envio do formulário de coleta das informações por correio eletrônico, para acelerar o recebimento e evitar deslocamentos desnecessários. Quando você quer fazer uma pesquisa pontual ou conhece o mercado pesquisado e, sabe o que está pesquisando, apenas uma breve descrição dos principais processos do cargo e dos requisitos de ocupação (educação formal e formação complementar) serão suficientes.

Os resultados apresentados em pesquisas normalmente editados em jornais e sites específicos, na maioria das vezes, não passam por processos de triagem quanto ao porte da participante, localização geográfica, jornada de trabalho e/ou outras características específicas. As informações são recebidas e colocadas na massa salarial correspondente, gerando, daí, as respectivas medidas estatísticas. O salário médio de um torneiro mecânico, por exemplo, poderá ter sido formado por indicações simultâneas de metalúrgicas de portes variados, frequências não uniformes e grande amplitude salarial.

Outra informação a considerar são aqueles salários de funcionários muito antigos na empresa e que ocupam o mesmo cargo de ingresso. Pela aplicação de acordos coletivos e eventuais aumentos espontâneos, encontram-se em patamares bem superiores a outros ocupantes de mesmo cargo, seja na própria empresa como na amostra apresentada pelas demais empresas convidadas para a pesquisa. Na análise inicial da amostra, você reconhecerá casos assim, caso a empresa participante não tenha tido o cuidado de não informar situações desse tipo (tem pesquisas que só analisam o salário de ingresso).

Também é interessante notar o grau de influência da freqüência de um cargo pesquisado, em uma determinada empresa, em relação às demais empresas participantes. Vamos supor que você esteja fazendo uma pesquisa para uma empresa da construção civil. O cargo pesquisado é pedreiro. Participam empresas de médio e pequeno porte e uma de grande porte. Enquanto a freqüência das empresas de pequeno e médio porte são similares, a de grande porte apresentou um freqüência muito superior. Nesse caso, tanto a média, a mediana e a moda serão fortemente determinadas pelo salário da empresa de grande porte. Por outro lado, se sua construtora necessita de um número menor de pedreiros, pode-se “dar ao luxo” de pagar mais que o mercado para assegurar a contratação e diminuir o assédio das grandes construtoras que necessitam de um maior número.

Deixando de lado o fator tempo e conforto, uma boa pesquisa é aquela em que o Consultor ou a empresa patrocinadora, prepara um caderno de instruções e vai realizar a investigação em campo, através do processo de job match, em visitas pré-agendadas às empresas convidadas.

Se os cargos da pesquisa são cargos de gestão e/ou da alta administração, é de fundamental importância o comparecimento na empresa convidada. Você deverá estar munido de todas as características de seu cargo (posição no organograma, poder de decisão, amplitude de supervisão, pacote de benefícios, faturamento, orçamento gerenciado,...). Jamais pesquise cargos desse nível em sites de relacionamento e/ou por telefone. É extremamente deselegante para você e para a sua empresa.

Roteiro básico para a realização de uma pesquisa salarial

- Seleção dos cargos a serem pesquisados,

- Descrição sumária dos principais processos de cada um dos cargos e as condições de ingresso (educação formal e formação complementar),

- Organograma da empresa para identificar se os níveis organizacionais são compatíveis com os das empresas convidadas,

- Seleção das empresas a serem convidadas,

- Contatar as empresas e formalizar o convite,

- Preparar o Caderno de Coleta,

- Coleta de dados - nessa etapa é preciso visitar as empresas e esclarecer dúvidas que possam distorcer o relatório final (não pesquise cebolas pensando que são bananas!),

- Análise e triagem das informações coletadas (salário base e adiconais),

- Tabulação dos Dados - nessa etapa acontece a digitação, estabelecimento das linhas de corte (uma boa medida é a aplicação de uma linha de corte de 1,2 desvios padrão, que abrange 85% da amostra coletada), cálculos, processamento e análise das informações obtidas e a emissão dos relatórios comparativos e estatísticos do mercado pesquisado. É nesse momento que a política de administração dos salários e dos cargos começa a ser desenhada.

- Devolução dos dados aos participantes da pesquisa. Vale lembrar que as empresas participantes não devem se identificadas.

Aproveite que você está realizando uma pesquisa e complemente sua investigação levantando dados sobre “boas práticas” em gestão de pessoas nas empresas convidadas. Como exemplos de “boas práticas”, podemos pesquisar a concessão de Seguro Saúde, Assistência Médica de Grupo,Seguro de Vida,Assistência Odontológica, Auxilio Alimentação, Cesta Básica, Concessão de Automóveis,Bolsas de Estudo/Crédito Educativo,Assistência Farmacêutica, Auxílio Creche, Previdência Privada,Cursos de Idiomas,Programa de Avaliação de Resultados Sistemas de Desempenho,Plano de Cargos e Salários e Sistema de Avaliação de Cargos,Plano de Carreira,Programas de Remuneração Variável, Participação nos Lucros e Resultados,Transporte fornecido pela empresa, Instrução dos Filhos/Auxílio Escolar,Incentivo a Educação Continuada entre outros.

Se você não dispõe de um software de tabulação e análise de pesquisa, construa um formulário de cálculo no Excel. É simples e rápido. Nele você pode calcular todas as medidas estatísticas necessárias para garantir a consistência da sua pesquisa (freqüência, desvio padrão, linha de corte, média aritmética ponderada, mediana, quartil e moda).

Pesquisa Salarial é coisa séria, cuidado com os "frutigranjeiros"!

Carlos Alberto de Campos Salles
Consultor de Recursos Humanos
Sempre Independente
carh.consultoria@gmail.com



sexta-feira, 2 de maio de 2014

Por que a 'geração selfie' não consegue emprego nos EUA?

Da BBC News, em Washington

Muitos nos Estados Unidos comemoraram as estatísticas, recém-divulgadas, indicando que o desemprego no país se manteve em 6,7%, mas o cenário ainda é preocupante para os jovens que estão entrando no mercado de trabalho.
A taxa de desemprego para pessoas entre 20 e 24 anos chegou a 12,2%, enquanto para aquelas com 16 a 24 anos bateu em 14,5%.

Por que é mais difícil encontrar trabalho para esses jovens americanos que formam a chamada geração Y?

Quem faz parte desta geração costuma ter uma má reputação. Diz-se que eles são "incapazes de desenvolver seu potencial e viciados em redes sociais e nas autorretratos conhecidos como 'selfies'", escreve Seth J. Carr no jornal Chicago Tribune.
Mas apesar da mania por "selfies", há outras razões para estes jovens estarem sem emprego. Estar desempregado não é uma escolha para muitos deles, segundo Tim Donovan, do site Salon. Nesse grupo, há muitos "jovens pobres, com pouca educação e quase sempre de minorias" que não conseguem arrumar emprego.

Rachel Lu, professora de Filosofia da Universidade Saint Thomas, escreve no The Federalist que os pais dos jovens desta geração - nascidos durante o boom demográfico do pós-guerra - aconselham seus filhos a ir atrás de seus sonhos e aproveitar as oportunidades de autossuperação em vez de "estabelecer raízes".
"O principal objetivo destes novos adultos de hoje em dia é aperfeiçoar-se", diz a pesquisadora. "Supõe-se que as responsabilidades em relação a outras pessoas farão parte de suas vidas só mais tarde."
Lu acredita que não é certo colocar toda a culpa nestes jovens. A economia americana atual não está em marcha lenta por causa deles.

Em seu blog na American Interest, Walter Mead comenta que esses jovens adultos precisarão se ajustar. Eles "pensam que podem ficar sentados sem fazer nada até que o governo e a economia lhes ofereça um posto de trabalho".
"Não é como o mundo funciona hoje. Em meio ao redemoinho da nova economia da informação e de serviços, eles terão que criar seus próprios empregos se quiserem trabalhar", afirma Mead.
Empresa própria

É provável que isso seja algo positivo, já que grande parte desses jovens terá que enfrentar uma batalha ladeira acima para encontrar um emprego estável tradicional.

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quarta-feira, 30 de abril de 2014

OBSERVATÓRIO RH: Você acredita no seu poder aquisitivo?

Atualize com 4 anos de INPC e faça sua comparação!



OBSERVATÓRIO RH: Você acredita no seu poder aquisitivo?

Las cinco nuevas competencias de los profesionales de recursos humanos

La aplicación de políticas de recursos humanos transparentes y comunes a todos los países, la importancia de combinar estrategias globales o la capacidad de trabajar con equipos diversos son algunos de los nuevos retos a los que se enfrentan estos profesionales.
A la hora de abordar un proceso de internacionalización, las empresas que operan en diferentes mercados y países tienen que considerar el área de recursos humanos como uno de sus pilares básicos. A medida que se va incrementando la presencia internacional de una compañía surgen una serie de retos que los profesionales de recursos humanos deberán resolver.

En un nuevo entorno laboral, estas son las cinco nuevas competencias que los profesionales de recursos humanos deberán asumir:

1. Integración: La homogenización de los diferentes procesos y políticas de recursos humanos de una compañía seleccionando las “mejores prácticas” extraídas de cada país es uno de los principales retos de estos profesionales. En muchas ocasiones las buenas prácticas no siempre tienen que proceder de fuentes centrales, sino que éstas pueden surgir gracias a la cooperación de los departamentos corporativos y locales.


2. Gestión de la diversidad: La capacidad de trabajar con equipos diversos ha de ser uno de los ejes centrales, ya que el director de recursos humanos corporativo tendrá que trabajar con equipos de diferentes áreas geográficas y culturas. Además, estos perfiles deben tener la certeza de que aquello que emprenden o transmiten es interpretado correctamente y aceptado de manera consensuada por todas las filiales. 

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quinta-feira, 24 de abril de 2014

Algumas profissões têm a idade de seu ocupante como inimiga, outras como aliada!

Agora, você contrataria para sua empresa, um gerente de compras, logística ou de recursos humanos entre 50 e 60 anos? Provavelmente não! Pode me dizer por que?

Algumas profissões têm a idade de seu ocupante como inimiga, outras como aliada. Se você é médico, engenheiro civil, advogado, professor ou jornalista, quanto mais velho você fica mais é respeitado (não falo de exceções). É natural. É o efeito psicológico. Você compraria uma casa totalmente assistida por um engenheiro civil recém formado ou faria uma cirurgia do coração por um médico cirurgião recém formado? Provavelmente não!

A grande maioria dos presidentes dos países do nosso planeta tem mais que 50 anos e ocupam o mais importante cargo de seu país. Você votaria, para presidente de seu país, em um candidato com 30 anos? Agora, você contrataria para sua empresa, um gerente de compras, de logística ou de recursos humanos, entre 50 e 60 anos? Provavelmente não! Pode me dizer por quê? Quem pensa assim é você ou sua empresa? Para presidente de seu país, em linhas gerais, tem que ter experiência burocrática e política, vida pública de ilibada reputação e mais que 50 anos ao passo que, um gerente de compras, de logística ou de recursos humanos com 50 anos, uma experiência verdadeiramente qualificada e nada que possa denegrir sua imagem ao longo de sua carreira, não serve para sua empresa. Tem que ser um “cara” de 30 anos.

A grande preocupação do estagiário é formar-se e ser trainee. A grande preocupação do trainee é logo virar um profissional junior. Essas passagens são de curta duração. Uma vez pleno, a vida já começa a sorrir. Já está na profissão e o tempo é só uma questão de tempo. Difícil é manter-se junior por mais que dois, três anos! Lá pelos 30 anos tornar-se sênior, com 35 anos chefe e com 40 anos gerente. Calma, estou falando das décadas passadas. Hoje, muitos profissionais do maior gabarito tornam-se gerentes e diretores na faixa dos 30 anos. Tecnicamente perfeitos, porém, o lidar com a vida corporativa e pessoal, por vezes deixa a desejar. Coach, MBA e cursos de desenvolvimento e formação de gestores fazem parte do dia a dia. Tudo se resume à competência de cada um em querer posicionar-se melhor.

Certa vez, convidado por uma amiga, assisti uma dinâmica de grupo de um processo de seleção de gerente de recursos humanos para uma metalúrgica nacional de porte médio. Eram quatro candidatos. Três na faixa dos 35 anos e um com 55 anos. A princípio estranhei um candidato dessa idade, participar do processo com outros três candidatos bem mais jovens. Minha amiga, psicóloga e louca por experimentos, após várias entrevistas selecionou os quatro que mais se aproximavam do perfil desejado. O candidato de 55 anos estava lá para ser referência do processo. Uma espécie de “benchmark”. A princípio, a escolha do futuro gerente de recursos humanos da metalúrgica era para centrar-se nos candidatos mais jovens. Ao iniciar o processo com as apresentações de cada um, os mais jovens sentiram-se intimidados com a farta e qualificada experiência do “velho”. “O que esse cara está fazendo aqui?”. Todos os quatro eram muito bons. Depois de umas três horas de perguntas, respostas e discussões sobre diversos temas e situações, envolvendo o dia a dia de um gerente de recursos humanos na metalúrgica, todos foram para casa para aguardar a sentença final. O de 55 anos feliz por ter sido lembrado e consciente que se saiu bem. Os outros três também saíram conscientes de que foram bem.

O que era para ser um “experimento psicológico” tornou-se um dilema corporativo. Como dispensar o “benchmark”?

A solução encontrada foi original, arriscada e aceita por todos. Um dos três candidatos mais jovens acabou sendo escolhido e o “velho” foi contratado por prazo determinado, por volta de seis meses (com direito a renovação), para desenvolver projetos pontuais, transferir conhecimentos e atuar como uma espécie de mentoring do novo Gerente de Recursos Humanos! Tudo isso muito bem articulado, acompanhado e firmado em contrato.

Alguns anos depois encontrei minha amiga em um aeroporto e no cafezinho me lembrei do caso e perguntei-lhe como havia sido a experiência. Feliz, respondeu-me que na hora estava morrendo de medo que as “coisas” não dessem certo por causa das individualidades colocadas em jogo. Porém, devido ao acompanhamento interno, ambos descobriram que poderia ser um bom caminho. O Luiz, um executivo que ao longo da sua vida adquiriu senioridade, liderança e reconhecimento profissional, "adotou" um jovem gerente de recursos humanos, servindo-lhe de orientador na sua carreira, de professor na sua especialidade e de conselheiro em sua ascensão dentro da metalúrgica.

Além do que, formulou, validou e implantou novos projetos em sistemas de remuneração, novos desenhos no tratamento de cargos e carreiras, novas posturas e atitudes em processos de recrutamento e seleção e melhorou em muito as relações com os empregados e com o sindicato. Passados os seis meses iniciais, o Luiz gostou tanto da “brincadeira” que foi contratado por outra empresa nas mesmas condições. Vez ou outra, o “empregador que foi laboratório” o chama para um trabalho ou aconselhamento pontual.

Depois que embarcamos para nossos destinos fiquei pensando como se desperdiçam os cérebros em nosso país tão carente de qualificação. É lógico que existem centenas de jovens muito bons naquilo que fazem e, se são gerentes ou diretores, na faixa dos 30 anos, o são por absoluto mérito e competência própria. Também é lógico que existem centenas de “velhos” chatos, pedantes, ultrapassados e verdadeiros “malas sem alças”.

Mas, um selecionador, ao receber o currículo de um cinqüentão, na hora envia ao “arquivo morto”. Cheio de preconceitos. Incapaz de simular variações em torno de um mesmo tema. Só o que está na partitura. Por que não ousar uma experiência como fez minha amiga no passado? Após realizar sua entrevista bem centrada naquilo que queria apurar, como só um psicólogo sabe fazer, descobriu que o Luiz não era chato, pedante, ultrapassado e muito menos um “mala sem alça”. E que sabia muito!

Ao invés de só enviar seus funcionários para um curso de gestão de compras, logística ou recursos humanos, contrate um ex gerente dessas áreas para desenvolver projetos e ministrar/transferir conhecimentos “in company”. Tudo por prazo determinado.

Um profissional desses, bem selecionado, já adquiriu sua estória empresarial vivida, participou de inúmeros cursos de informação, formação e atualização, já “filtrou o joio do trigo” em todos eles, já errou e acertou e está aí, ao seu lado, à sua disposição. Considero um enorme desperdício, deixar esse “cara” sentado em uma poltrona, em uma quarta feira útil, assistindo jogos da Champions League. Se bem que os jogos são muito bons (os da semana que vem são imperdíveis!).

Carlos Alberto de Campos Salles
Consultor de Recursos Humanos
Remuneração, Desempenho e Competências
(11) 99323 - 7923 
carh.consultoria@gmail.com