quinta-feira, 4 de abril de 2013

O que é Avaliação de Desempenho?

 Adm. Wagner Siqueira

Artigo de bom conteúdo sobre o propósito de um programa sério de Avaliação de Desempenho. Vale a leitura!
Avaliar é apreciar, estimar, fazer ideia de, ajuizar, criticar ou julgar.

Desempenho é o comportamento real do empregado em face de uma expectativa ou de um padrão de comportamento estabelecido pela organização.

Assim, avaliação de desempenho é a crítica que deve ser feita na defasagem existente no comportamento do empregado entre a expectativa de desempenho definida com a organização e o seu desempenho real.

A análise do gap ou da distância entre o comportamento ideal e o real é o foco essencial da avaliação de desempenho.

Os valores da crítica à defasagem existente entre o comportamento real e o ideal incluem:

a)      Aprendizagem a partir da experiência;

b)      Identificação de problemas;

c)      Definição de causas e alternativas de correção por meio de soluções acordadas ou,

d)     melhor ainda, estabelecidas por consenso entre o avaliador e o avaliado;

e)      Estímulo ao empenho do avaliado e à capacidade do avaliador em dar feedback.

Assim, o gerente age como avaliador, mentor, educador, conselheiro e consultor dos colaboradores e de sua equipe, e não como um juiz, que julga os bons e os maus comportamentos do réu e prolata a sentença.

A ação do gerente na avaliação de desempenho tem por objetivo dar consequência a uma estratégia planejada de intervenção no comportamento manifesto do avaliado, visando a melhorar o seu desempenho, reduzindo a defasagem existente entre as expectativas desejadas e os resultados reais.

O processo de avaliação de desempenho inclui, dentre outras, as expectativas desejadas e os resultados reais. 

a)     Apreciação diária do comportamento do colaborador, seus progressos e limitações, êxitos e insucessos, com oferecimento permanente de feedback instantâneo;

b)    Identificação e equacionamento imediato dos problemas emergentes, procurando manter continuamente um alto padrão de motivação e de obtenção de resultados;

c)      Entrevistas formais periódicas de avaliação de desempenho, em que avaliador e avaliado analisam os resultados obtidos no período considerado e redefinem novas orientações, compromissos recíprocos e ações corretivas, se for o caso.

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domingo, 17 de fevereiro de 2013

O empobrecimento do RH!

 "Como podem as rãs discutirem sobre o mar se nunca saíram do brejo? Como poderei falar do céu com o pássaro do verão se está retido em sua estação? Como poderei falar com o sábio sobre a vida se é prisioneiro de sua doutrina?" - Chuang Tsé - IV AC

 Há umas décadas atrás, a área de RH passou a ser entendida como composição de dois núcleos distintos, Administração de Recursos Humanos e Desenvolvimento de  Recursos Humanos. Como Administração de RH, entendem-se as atividades que tem no fundamento legal suas bases e, como Desenvolvimento de RH, entende-se como o “laboratório” de projetos de gestão de pessoas. O núcleo de Administração de RH tem como escopo principal o processamento da folha de pagamento, o recolhimento de impostos e de encargos sociais, a organização da documentação e registro de empregados e, em muitas empresas, a organização das atividades de Medicina e Segurança do Trabalho. Já o núcleo de Desenvolvimento de RH tem como escopo principal o processo de criação com sustentabilidade técnica e respeitando, quando necessário, as questões legais. Em função das  questões legais que envolvem o trabalho, da administração das relações sindicais e do avanço da tecnologia, o núcleo de Administração conseguiu a evolução profissional e técnica de seu povo e se mantem "antenado". 

Em Desenvolvimento as porteiras estão sempre abertas para ideias e projetos em Treinamento, Recrutamento e Seleção, Remuneração, Comunicação e Benefícios e temas pertinentes. Com a prática “aloprada” da reengenharia e de outros gurus da década de 90, organogramas vieram abaixo. Nem me atrevo a comentar da reengenharia da reengenharia, que ocorreu alguns anos mais tarde, quando, notadamente, empresários brasileiros empenharam fortunas para recuperar fortunas empenhadas.

Com essas e outras, as atividades de Treinamento e Recrutamento e Seleção foram as primeiras a sofrerem o processo de outsourcing, ou seja, terceirização. Profissionais dessas áreas, formados em longos anos de batalha diária, tornaram-se ou empregados de consultoria ou prestadores de serviços para as empresas de origem. Muitos e bons profissionais de Remuneração também debandaram. A área de Desenvolvimento ficou reduzida ao mínimo necessário no entender de cada empresa. Profissionais que antes lidavam com o dia a dia de suas empresas e desenvolviam suas ideias e seus projetos através de conhecimento próprio e/ou empírico, pesquisas na web (quando surgiu) e/ou em literatura disponível e cursos realizados, hoje não mais existem na maioria das empresas. Em compensação, a disposição do RH para organizar festinhas de celebração de “tempo de casa”, aniversariantes do mês, confraternização de final de ano e convescotes afins continuam a todo vapor.

Basta frequentar qualquer rede social de RH e reparar quando o assunto é o entendimento de uma questão legal da área trabalhista, proliferam participações e troca de opiniões e o interesse em entender o tema é notório. Muitos debatem e participam. Agora, basta colocar um tema de Desenvolvimento para debate que a frequencia de participantes é mínima com um ou outro comentário e, passados dois, três dias o assunto morre.

Por que o povo de Desenvolvimento não debate? Mesmo nas redes profissionais taxadas como de alto nível, os grupos formados no segmento de RH pouco debatem. O que mais se vê são psicólogas recem formadas desesperadas pedindo soluções imediatas para assuntos complexos de gestão de pessoas. Certa vez comentei que o Conselho Federal de Psicologia deveria incluir no currículo de formação todos os sub processos de RH. Assim, quem sabe, diminuiria a “síndrome dos pedintes”. Vemos pedidos simplórios como “modelo de carta de comunicação de aumento salarial” até “meu chefe mandou implantar o RH. Como começo?”. A justificativa que agora embasa os pedidos é para fazer “benchmark”.     Pode-se fazer “benchmark” de modelo de carta?

Há pouco tempo atrás, através de pesquisas e viagens na web, editei um post resgatando um artigo escrito em 1979 em um Congresso de RH realizado na cidade de Florianópolis, que se repetiria em 1982 na cidade de Goiânia.. O autor do artigo e da palestra é o hoje consultor César Souza, na época Assessor da Presidência da Odebrecht. O título? Vamos demitir o Gerente de RH. Indo alem do título provocativo, o que César pregava era uma nova postura em gestão de pessoas. Um novo padrão de gerente e de gestão de RH. Boa parte das ideias do David Ulrich, o principal guru de RH da atualidade, estão ali expostas. Há 30 anos atrás.

Há alguns dias, postei o artigo em uma rede esperando um bom índice de participação e debates e nada. Nenhuma opinião a respeito. Presumo que muita gente acessou o link para ler o artigo atraído pela provocação do título. Participo, mais como leitor do que como “opinador”, de muitos grupos de RH da América Latina e da Espanha. A participação em qualquer assunto é intensa. O que aconteceu com os nossos profissionais de Desenvolvimento que raramente expõem suas opiniões de maneira clara e objetiva?  Creio que o empobrecimento do RH tem como ator principal o dirigente que nada exige e/ou desconhece o que poderia ser feito e como ator coadjuvante o RH passivo que acha ótimo quando o “chefe manda implantar o RH”. Pode-se um dia falar em RH estratégico em uma empresa como essa?

Comentário Incidental: Hoje em dia rótulos separam e classificam pessoas e gerações em categorias e gurus ensinam como administrá-las. Geração X, Y, Baby Boomers e/ou Slacker.  Termos utilizados para demografia, ciências sociais e marketing, agora utilizados em gestão de pessoas. Tratando-se da Geração Y, o ápice da atualidade, será que todos os formandos recentes tem um comportamento típico da categoria em que foram enquadrados? Todas as universidades preparam, desenvolvem e formam uma Geração Y? Uma universidade que não permite a formação de centros acadêmicos para impedir/minimizar a mobilização estudantil pode formar uma geração engajada e com senso crítico? A universidade tem a obrigação suprema com a sociedade, de gerar talentos humanos alinhados e preparados para o mundo, com poder de ingerência e capacidade de transformação da realidade econômica, social, cultural e tecnológica atual e emergente.

O núcleo de Desenvolvimento de RH deve ser, essencialmente, um Facilitador (termo emprestado dos processos de gestão da qualidade) e possuir inteligência aguçada para todas as coisas.  Deve fazer do conhecimento sua maior competência e estar sempre disposto à aquisição de novos saberes, à ampliação da criatividade e à percepção de ideias e novas oportunidades. Novos saberes podem propiciar a reformulação de conhecimentos anteriores mal estabelecidos. Deve participar ativamente da ampliação da competitividade da sua empresa, romper com passados que não retornarão mais, construir ambientes e cenários favoráveis ao seu crescimento e ao crescimento coletivo e abandonar comportamentos autoritários. Deve, ainda, aprender diariamente com os demais colegas de trabalho, entendendo que a qualidade tem importância primordial para si e para a empresa. Deve aproveitar a mesmice e a escassa literatura e desenvolver novas concepções e metodologias em todos os sub sistemas de gestão de recursos humanos/pessoas.

Carlos Alberto de Campos Salles
Consultor de Recursos Humanos
Aposentado e sempre Independente
 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Uma nova era desponta para os recursos humanos!


Ao ler o título deste artigo você deve ter pensado que trata-se de mais uma apoteótica mensagem do "novo RH". Aliás, "novo RH" é a frase mais utilizada desde há 20 anos e por aí vai.
 
Acontece que o "novo RH" nunca sai de moda porque nunca existiu de fato. Não sei se por resistência, comodismo ou preguiça de pensar no novo. Mesmo que de novo. A Sra. Vicky descreve com muita clareza e objetividade o que deve ser feito doravante, não importando há quanto tempo deveria ter acontecido o "novo RH".Volto a destacar a relevância do Consultor César Souza (destacado no blog no artigo anterior) que, em um congresso de RH realizado na cidade de Goiânia, em 1982, já apregoava essas mudanças urgentes!
 
*Vicky Bloch

As áreas de recursos humanos no Brasil precisam passar por uma grande transformação urgentemente. E, ao que tudo indica, bons movimentos podem começar a acontecer a partir de 2013.
Neste início de ano, participei de dois importantes fóruns com profissionais desse segmento e foi unânime a constatação de que os atuais modelos estão esgotados e ultrapassados.

As mudanças que estão ocorrendo na sociedade precisam ser inseridas dentro do contexto das empresas pelos profissionais de RH, que podem e devem ser, por dever de ofício, os tradutores destas transformações para as discussões estratégicas.

A verdade é que os sistemas de gestão de pessoas são os mesmos há décadas. Os treinamentos, avaliações e pesquisas de clima são feitos da mesma forma há décadas. Ainda são pesquisados os fenômenos do passado, como a relação chefe x subordinado, sem levar em conta o novo cenário em que vivemos.

Eu acredito que estamos prestes a ter problemas de relacionamento entre as pessoas e as organizações no nível que tivemos com os sindicatos nos anos 70 - só que, desta vez, o interlocutor já não é mais apenas o sindicato. Surgiram novos atores dentro da chamada rede de stakeholders influenciando o universo corporativo, como as lideranças locais mobilizadas por fenômenos como as redes sociais e a internet. Os estragos podem ser infinitamente maiores.

O radar dos profissionais de recursos humanos, que na maior parte das vezes ficou restrito ao ambiente interno, precisa captar o que está acontecendo no macro ambiente social. Há diversos fatores que não estão sendo observados. Qual será o impacto da classe C e D que ascendeu na esfera de consumo, dentro do modelo de gerir pessoas nas organizações? Qual é a relação entre a violência externa que vivemos nas grandes cidades e a violência dentro do ambiente de trabalho refletida em questões como assédio moral, maus tratos entre chefes e subordinados ou más relações entre pares?

Outro fator importante: nos próximos 20 anos haverá uma transformação no mercado de trabalho no Brasil com o envelhecimento da população e entrada de menos jovens no mercado e, consequentemente, em posições de liderança. Teremos um número grande de pessoas na faixa dos 60 a 80 dentro das empresas em plena atividade.

*Vicky Bloch é professora da FGV, do MBA de recursos humanos da FIA e fundadora da Vicky Bloch Associados

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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Esqueça os livros de auto-ajuda. Se você quer ser um líder, use o bom senso.

Esqueça os livros de auto-ajuda. Se você quer ser um líder, use o bom senso. Aqui estão algumas táticas da moda para você ignorar
Eventualmente algum acadêmico, pesquisador, guru, líder meia boca ou algum aspirante escreve um livro que pega e se torna o negócio mais recente e da moda sobre auto-ajuda.
Eles são, em sua maioria, velhos conceitos reembalados com novos e belos nomes, ideias banais que se transformam em viral e criam popularidade entre alguns seguidores, ou o modo de uma pessoa agir e achar que todos devem agir como ela.
Ao longo dos últimos 30 anos podemos contar na mão o número de conceitos inovadores sobre gestão, negócios e liderança. Entre os livros, talvez tenhamos, “O Gerente Minuto, Gary Hamel’s Core Competency, O Tao da Liderança” e talvez alguns outros.
Esses modismos não merecem nossa atenção. Além de nos transformar em clones de comportamento, tirá-lo do seu foco central e te fazer perder tempo nós conseguimos fazer as coisas do jeito certo sem precisar dessas conversas fiadas.
Se você não quer se transformar em um zumbi, então não beba o suco. E evite os modismos em sua carreira.
#1. Gerenciando como Steve Jobs
Primeiro tivemos a invasão da gola rulê, jeans e tênis. Aí, as pessoas começaram a imitar o seu jeito de falar. Agora, a moda é clonar o estilo de gestão da Apple.
Infelizmente, você não pode simplesmente copiar e colar o talento, a sabedoria ou a liderança. Ela simplesmente não funciona assim.
O Steve Jobs que todos querem copiar, e que alavancou a Apple 2 vezes não é o mesmo estilo do Steve, cujo estilo tóximo de gestão o fez ser demitido da empresa que fundou.
Esse evento acabou transformando Steve, um processo pelo qual ele tinha que passar. E foi justamente isso que criou a pessoa que construiu a maior empresa de tecnologia do mundo.
É o que as pessoas chamam de experiência, ou vivência. E não se pode clonar isso.
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Enrico Cardoso – Apaixonado por marketing e branding digital, Enrico Cardoso é profissional de storytelling e acredita que toda empresa tem uma única oportunidade de se transformar em uma grande marca: contando histórias e cativando os consumidores com seus sonhos e pretensões

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Limites da Tolerância

* Fernando Antonio Gonçalves

Vou encerrar o ano com um recente artigo do Professor Fernando Gonçalves. Anos atrás assisti uma palestra sua em um congresso de RH em Recife, cidade em que vive. O evento saiu muito da "caixinha" e provocou diversas vezes a platéia, não acostumada a ouvir palavras e mensagens que não lhes fossem favoráveis. Foi um dos primeiros contestadores do universo RH. Me lembro que entre outras mensagens de igual teor, pediu para todos deixarem de praticar a cultura do fingimento (finge-se que a área vai bem, finge-se que toda a empresa respeita, finge-se que as atividades sempre vão de encontro às necessidades dos trabalhadores e por aí vai). Segue o artigo e boa reflexão!

"Outro dia, um não muito distanciado dos atuais, excessivamente plúmbeos, o escritor Umberto Eco, jornalista e professor de semiologia da Universidade de Bolonha, romancista de sucesso e consagrado autor de O Nome da Rosa, também de O Pêndulo de Foucault, foi entrevistado pelo jornal francês Le Monde. Sem papas na língua, denunciou uma estupidificante indiferença moral diante dos extremismos políticos que estão proliferando no mundo inteiro, mormente os de extrema direita. Para ele, as categorias "direita" e "esquerda", radical dicotomia de quarenta anos atrás, não são mais compatíveis com os instantes históricos do agora , dadas as novas circunstâncias das atuais realidades sociopolíticas.
As últimas três décadas, aceleradamente evolucionárias, não devem provocar indiferença nos portadores de uma criticidade avessa a dogmatismos e ortodoxias. Distinções esclerosadas costumam "cegar", obstaculizando reflexões desapaixonadas, desestabilizando emocionalmente os mais jovens e os menos experientes. Ou os que, aturdidos pela velocidade da História, postulam a validade de tudo, nada recusando, tudo sendo permitido, as regras morais mais salutares não mais servindo como balizamentos comportamentais de posicionamentos políticos, táticos e estratégicos.
Defende Umberto Eco, com a responsabilidade de ser um intelectual de renome internacional, a missão de todo ser-pensante: delinear os limites entre o tolerável e o não-tolerável. Segundo ele, não há "nenhuma verdadeira diferença entre os ‘skinheads’ e os neonazistas de hoje e os nazistas da geração anterior". E vai além: "Continua sendo a mesma forma de imbecilidade e de atração pelo mal, o mesmo ódio pelos outros e o mesmo desejo de destruição".
Num país onde a ética comportamental é ridicularizada pelos que apregoam cinicamente saber levar vantagem em tudo, o pensamento desalienante deve merecer um esforço continuado, redobrado mesmo, para poder discernir entre o que se encontra ultrapassado, obsoleto, e o que é moderno, atualizado, contemporâneo. E, ainda, o que foi considerado errado no passado e o que continua errôneamente sendo feito nos dias de hoje, numa aldeia global de múltiplos e cada vez mais interdependentes contextos tribais.
Acredito que nós, brasileiros, nordestinos, pernambucanos especialmente, temos uma obrigação cidadã muito acima das agruras do cotidiano: o direito de desconfiar das posturas políticas enganosas e das ruidosas esculhambações sectárias dos messiânicos. O dever de  persistir  reconstruindo os fatos históricos do nosso ontem sob um prisma revisionista é característica maior de todo historiador cientificamente idôneo, que não se permite resvalar para os negativismos analíticos das conjunturas nunca estáveis. O próprio Umberto Eco, em sua memorável entrevista, declara que "a Terra é redonda: não se pode ir à esquerda demais". E explica: a força de perseguir a ideia mais extrema, a mais provocadora, a mais "inovadora", acaba por dar a volta e se ver situada na extrema direita. Os exemplos são centenas ao nosso derredor.
Preguiça, ignorância e incompetência, definitivamente, não são armas para quem busca transformações sociais consequentes e duradouras. George Orwell costumava dizer que os jovens intelectuais de classe média vão para a esquerda por desemprego, sempre cobrando dos outros aquilo que não podem oferecer. Por aqui, os mais exaltados são alguns fronteiriços, já efetivados nos seus cargos públicos.
Numa conferência recente, alguém escreveu num flanelógrafo: “quando quiser saber alguma coisa sobre jóias, não pergunte ao alfaiate, pergunte ao joalheiro”. Eis o caminho mais realista, menos prejudicial, mais consistente. Com apenas um porém: o consultado deve ser bom, mais que muito bom, ótimo, inspirador de muita confiança, conhecedor pleno de uma realidade, a da sua especialidade. Com os seus derredores.

*Fernando Antonio Gonçalves foi Secretário Estadual de Educação e Cultura de Pernambuco e é pesquisador aposentado da Fundação Joaquim Nabuco, Membro da Academia Recifense de Letras. Também integra o Conselho Diretor da Fundação Gilberto Freyre. Também é articulista do Jornal do Commércio de Recife/PE. 

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Consultorias buscam apoio dos pais para evitar o turnover

Eu já tinha lido algo semelhante há uns anos atrás, em uma consultoria americana, que mantinha programas de participação dos pais junto à gareção Y da consultoria. É meio estranho "pais" acompanharem seus filhos na empresa em que trabalham como se tivessem participando de um programa de pais e mestres em escolas de nível fundamental e médio.

Admito ser uma experiência nova em gestão de pessoas e eu corro atrás de experiências novas em gestão de pessoas, mas ainda não assimilei muito bem essa estória do pai aconselhar junto com o empregador, o filho a não trocar de emprego. Hoje em dia, notadamente nas universidades particulares, o ambiente que reina é típico de escola, ou seja, uma extensão do segundo grau. Só falta chamarem intervalo de recreio, o que não está muito longe. O jovem aprender a lidar com os desafios da vida profissional e trocar ideias com seus pais é notadamente saudável e positivo. Agora, o empregador se meter no meio da conversa de "família" é, na minha opinião, um pouco demais. O que vocês acham?

Vamos ao artigo

"Conhecidas por serem grandes formadoras de mão de obra qualificada, especialmente para o mercado financeiro, as maiores empresas de auditoria e consultoria sempre tiveram um 'turnover' maior em seus quadros que o das outras indústrias - chegando, em alguns casos, a registrar índices quatro vezes superiores.


Com o objetivo de reter os talentos, alinhar valores e facilitar a adaptação dos recém-contratados à cultura organizacional, algumas dessas firmas estão investindo na comunicação direta não apenas com os jovens, mas também com seus pais.

 A Deloitte, por exemplo, já contratou 500 pessoas este ano por meio do Programa Novos Talentos, que recebeu 44 mil inscrições pelo site - a meta é chegar a 700 contratações no fim do ano fiscal. Os aprovados passam por uma integração que inclui palestras com o presidente e o alto escalão, onde são detalhados benefícios, treinamentos, áreas de atuação, modelo de negócio, oportunidades de desenvolvimento de carreira e de ascensão profissional.
O encontro mais recente contou com a participação de 150 jovens e os respectivos pais, que puderam conhecer melhor não apenas o trabalho de seus filhos, mas também as pessoas com quem eles passariam a conviver no ambiente profissional.
De acordo com Roberto Sanches, diretor de recursos humanos na Deloitte Brasil, os participantes do programa geralmente estão em seu primeiro emprego, o que dá margem para mais dúvidas e inseguranças em relação ao futuro. "O objetivo principal é apresentar a empresa, a complexidade e a magnitude da nossa operação. Isso tranquiliza e cria um vínculo com a família, que passa a ter ainda mais orgulho desse jovem", explica."

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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O RH e a caixinha!

O pessoal de seleção tem o hábito, de trabalhar na triagem de candidatos a uma vaga de emprego, seguindo criteriosamente o que foi determinado pelas “instâncias superiores”.

Ou seja, nada “fora da caixinha”, expressão esta, muito em voga na área de RH, pensar fora da caixinha!

Todos sabem que a primeira triagem cai sempre em cima da idade do candidato. Vamos nos ater a uma vaga de nível superior carregada de exigências tais como MBA´s, idiomas e, principalmente, curso superior em “escolas de 1ª linha”. Não importando a estória de vida profissional, conhecimentos adquiridos no “campo de batalha” e outras situações semelhantes. O que importa é o carregamento de MBA´s apresentados e a dita escola de 1ª linha.

As universidades fora desse padrão possuem uma gama enorme de alunos que batalham durante o dia e sentam em seus bancos à noite. Como diria o Gonzaguinha “Eu acredito na rapaziada”! Tudo bem que existam vestidinhos cor de rosa nessas universidades. Mas tem muita gente boa e vestidinhos cor de rosa podem existir em qualquer lugar.

Henry Mintzberg, professor da Macgill University, do Canadá, em seu livro “MBA? Não, Obrigado”, é um dos principais críticos dos modelos adotados por esses cursos, principalmente nos EUA. Para ele, o grande equívoco desses programas está em tentar ensinar técnicas gerenciais para profissionais que nunca comandaram uma equipe na vida. Um movimento semelhante ao que ocorre nos EUA, onde os cursos de MBA são oferecidos a jovens em início de carreira, que têm entre 27 e 30 anos, recém-saídos da graduação. "É o mesmo que tentar ensinar Psicologia para alguém que nunca viu um ser humano", diz Mintzberg em seu livro. "O ensino gerencial exige uma abordagem que estimule os administradores a aprenderem com sua própria experiência. Em outras palavras, precisamos incorporar a habilidade nascida da experiência e a arte de gerir à educação gerencial. Daí levá-las de volta à prática administrativa", diz um trecho do seu livro.

Quando me formei em Administração, anos e anos atrás, logo na sequencia fiz um curso de pós graduação em um escola de 1ª linha. Foram perto de 400 horas aula, o que hoje equivale a um “super” MBA. Confesso que não mais que um ou dois anos depois, se fosse depender só do conhecimento obtido na pós graduação, em poucos meses estaria desatualizado. Isso anos e anos atrás. Várias idas a livrarias e contínuos cursos e congressos de curta duração me mantiveram atualizado até os dias de hoje. Quando preencho um currículo ou formação acadêmica obtida, sempre cito o meu curso de pós graduação. Mas o que realmente vale é a estória “empresarial vivida” como diz o Professor Cleber Aquino.

Em matéria recente, li que mais da metade dos CEO´s americanos não possuem MBA. Recente matéria da revista Exame cita que os melhores professores de negócios do mundo não estão alojados nos programas de MBA de universidades como Harvard, Stanford e MIT. Pelo menos é o que mostra ranking divulgado pela Bloomberg. Businessweek. Feito com base na avaliação de alunos dos programas de MBA, o ranking levou em conta itens como conhecimento dos professores, disponibilidade após as aulas e, claro, aulas capazes de arrematar o mais entediado dos alunos. Entre as cinco escolas com os professores que receberam as melhores notas, nenhuma é figura comum nas 10 primeiras posições dos principais rankings de MBAs. Já entre as instituições cujos docentes receberam as piores notas, pelo menos duas aparecem entre as melhores do ranking de MBAs internacionais da Businessweek. As ditas “1ª Linha”. Lembram-se do vestidinho cor de rosa? 

Com certeza, as Consultorias de Executivos, além da formação e cursos frequentados, dão uma importância equivalente ou até maior às realizações do candidato como profissional.Você que vai fazer um MBA, como eu fiz o “meu”, anos e anos atrás, acredite, logo estará desatualizado. Ou você faz mais um e mais um ou frequente livrarias, cursos rápidos, congressos e muita, muita pesquisa. 
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