sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Sinal de Alerta

Fernando Antônio Gonçalves - Jornal do Commercio/PE - 05.01.2011

Vez por outra, o Thomaz Wood Jr, revista Carta Capital, manifesta preocupações com o Curso de Administração oferecido pela área de ensino superior. Segundo ele, “do Oiapoque ao Chuí, são milhares de programas de graduação, dezenas de programas de mestrado e doutorado e incontáveis programas de especialização”. Além dos MBA’s e outras indigestas denominações. Segundo ele, em 1998, o curso de graduação em Administração possuía 260 mil inscritos, somente sendo superado pelo de Direito, que registrava 300 mil. Em 2008, os que frequentavam Administração totalizavam além de 860 mil, suplantando Direito em mais de 200 mil vagas. Em 2000 havia no Brasil 989 cursos de Gerenciamento e Administração, saltando para 1809 em 2008.

Norte-americanos costumam dizer que não acreditam na possibilidade de ensinar gestão para menores de 25 anos, no que concordo plenamente. Aliás, creio ser chegado o tempo de alguns cursos superiores serem ministrados aos já possuidores de uma graduação. Um graduado em Engenharia poderia aperfeiçoar-se numa pós-graduação em Administração da Produção. Ou um médico poderia se aperfeiçoar em Administração Hospitalar. Exemplos que poderiam ter múltiplos desdobramentos, aqui não inseridos para não sair da área de Administração.

Uma pergunta do Wood: como se ensina Administração? E ele mesmo revela que a maneira como se aprende e se ensina administração vem sofrendo mutações várias nas últimas décadas. Sem falar nas pirotecnias pedagógicas utilizadas nos “embromation systems” que estão campeando neste oaís, com as exceções que nos envaidecem.

Segundo um colega de magistério, talento técnico acima da média nacional, o “estudo centrado no aluno” foi substituído por um “estudo sentado no aluno”, onde um metido a docente divide a sala em “grupos de discussão”, o tempo passa, ao final cada “coordenador de grupo” apresenta a síntese do “discutido”, ao “docente” cabendo fazer a chamada e dizer até logo para alunos que continuarão não percebendo a diferença entre teoria fundamentada e uma simples receita que estará superada em muito pouco tempo.

Diante de uma realidade que nos atordoa – o Brasil ainda é detentor de uma das piores distribuições de renda do planeta -, nos deparamos com uma rede nacional de televisão que amplia a acriticidade, abilolando ainda mais sociedade debilmente cidadanizada, para não se falar, aqui, nas receitas mirabolantes de auto-ajuda.

Na outra ponta do enredo, os gestores que buscam os caminhos do ganho fácil e sem qualquer compostura, inclusive na área pública, não se devendo excluir, aqui, os que vendem milagres imediatos de nível celestial, fiapos do pente que desassanhou Jesus quando da sua primeira ida ao tabernáculo, restos ensacados e congelados em pedacinhos da última ceia, e as intoxicantes correntes, que ameaçam com o calor do inferno quem não remeter, pelo menos, vinte cópias para amigos, parentes e aproximados.

Envolvidos nas duas faces de uma mesma moeda - a da alienação social - identificamos com facilidade os Ali Babás, com seus babões, que garimpam fortunas sob as mais grotescas formas exploratórias: disque-isso, disque-aquilo, tarôs, piadas, transas telefônicas, telequadras, telequinas e raspadinhas. Além da competitividade vigarística e pegadinhas mentirosas e artimanhas várias capazes de deixar o Corcunda de Notre Dame com corpinho de Gisele Bündchen.

A era pós-industrial aumentou lazeres e liberdades, enormes abismos se abrindo, no entanto, entre os que possuem quase tudo e os que não possuem quase nada, nem sequer esperança sadia. Onde ações levianas e devassas são cometidas pelos que se dizem cidadãos.

Num país, onde quase um quarto dos eleitores já não sabe mais em quem voltou para o Congresso Nacional nas eleições de outubro último, a conclusão de Thomaz Wood Jr vale a pena ser registrada:

“Por este e outros motivos, as universidades corporativas, sediadas nas empresas, estão investindo pesadamente para desenvolver ou reciclar profissionais pouco qualificados”.

Fernando Antonio Gonçalves foi Secretário Estadual de Educação e Cultura de Pernambuco e é pesquisador aposentado da Fundação Joaquim Nabuco, hoje integrando o seu Conselho Diretor. Também integra o Conselho Diretor da Fundação Gilberto Freyre. Também é articulista do Jornal do Commércio de Recife/PE.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Sobram Vagas, faltam Pessoas

Suely Pavan


Talvez você já tenha lido um discurso recorrente e cômodo que diz: Falta qualificação, por este motivo não conseguimos contratar!

Na TV acompanho algumas matérias nos telejornais e vejo que existem empresas, como por exemplo restaurantes no sul do país, que simplesmente fecharam as portas em pleno verão porque não conseguem contratar garçons. Os donos de hotéis de algumas cidades de veraneio também estão com os cabelos em pé devido à falta total de recepcionistas. Segundo eles, mesmo aumentando os salários não há recepcionistas em seu mercado. Como gosto de pensar sobre as coisas me ocorre o seguinte: Se a recepcionista é temporária devido ao veraneio, por quê estes empresários não contratam pessoas de outros estados/cidades?

Às vezes falta gente num lugar e sobra em outro. E deve ser delicioso ser jovem e trabalhar por um período curto em outra cidade, preferencialmente as bonitas e com praias como as que apareceram na TV.

Chamou-me a atenção também os métodos para capturar pessoas mostradas na TV por estas empresas. Funcionários responsáveis pela contratação ficam esperando horas nos CAT (Central de Apoio ao Trabalhador) para que apareça um candidato apto, sem sucesso algum. Outros recorrem às velhas plaquinhas de “precisa-se” para recrutar pessoas. Em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro ainda usam para recrutar apenas métodos tradicionais, sendo o principal deles a divulgação pela Internet.

Em momentos de crise de falta de pessoas, recrutamento precisa usar algo muito falado, porém pouco executado: a inovação. O recrutamento, que é o marketing da vaga, precisa ser previamente desenhado a fim de ir ao encontro do público alvo. Nem todo mundo também tem acesso à Internet ou vai ao CAT para buscar uma colocação. Ou seja, falta gente, mas os métodos de recrutamento continuam os mesmos! Recrutadores deveriam a meu ver conhecer marketing.

Na série de telejornais que assisti, uma das reportagens falava sobre os desabrigados em função das chuvas, e vi e ouvi pessoas dizendo: Não temos como sair daqui, porque estamos desempregados.

Ooops! Como assim?

Há vagas e as pessoas não sabem delas? Neste caso e apenas neste podemos pensar na falta de qualificação profissional, mas as matérias também dizem que há cursos gratuitos - só não dizem onde. Fui eu mesma procurar e nada encontrei de cursos para profissões em baixa, como padeiros, garçons, recepcionistas e pedreiros. Se eu, que tenho facilidade com o recurso da Internet, nada encontrei, imagine aqueles que nem sequer Internet possuem. Deveria haver campanhas nas comunidades, CATs, padarias, igrejas, cultos, entidades de ajuda à população carente e outros locais de domínio público dizendo quais os cursos profissionalizantes que são gratuitos. Mas quem quer se especializar ou até mudar de profissão não sabe muito a quem recorrer.

Acredito que às vezes falte para as pessoas a vontade de trabalhar, e para as empresas, existe uma falta de disponibilidade para investir. Querem contratar, sem gastar nada. Algo impossível nos tempos atuais. Porque os hotéis do sul do Brasil e as empresas de São Paulo e Rio de Janeiro não fazem uso de serviços de consultoria, por exemplo? Consultorias podem ser caras, mas garantem, quando são boas, gente igualmente gabaritada. Uma boa consultoria de Recrutamento e Seleção vai garimpar candidatos e dar feedback imediato às empresas quando, por qualquer razão, não se obtém o candidato desejado. Nestas ocasiões perfis são mudados, treinamentos prévios são encomendados, e o investimento continua.

É melhor investir em recrutamento e seleção do que gastar um dinheirão na contratação errada. Este jeito preventivo ainda parece uma novidade para os empresários brasileiros. Com esta atitude retrógrada, que mistura falta de investimento com absoluta falta de inovação, o Brasil poderá se “ferrar” de verde, amarelo, azul e branco nos eventos que surgirão nos próximos anos.

Todo mundo sabe há anos que existe um “gap” (lacuna) enorme entre o nosso sistema educacional, que é precário, e a demanda empresarial. Poucas, porém, são as empresas que investem pesado em treinamento. A solução é simples: Não encontro o profissional desejado? Eu treino. É assim que se sai do sufoco da falta de qualificação. Ela não pode servir de pretexto para a inoperância.

Óbvio que profissionais despreparados em recursos humanos como diretores, gerentes, supervisores e coordenadores não conseguem exigir investimentos e cegamente fazem aquilo que os clientes pedem. Alguns chegam ao absurdo de dizer que o cliente tem sempre razão. O ditado só pode ser verdadeiro quando se faz também uma leitura correta da realidade.

Exemplo desta cegueira generalizada é achar que os operadores de telemarketing, profissionais que viraram motivo de chacota social e que têm salários semelhantes a empregadas domésticas, são cargos que podem ser desempenhados por qualquer pessoa. Pura mentira! Deveriam ser melhor recrutados e selecionados, pois representam as empresas. E, claro, bem treinados, coisa que não acontece. A maioria apenas parece um pobre papagaio a repetir um “script”. Uma desumana afronta à saúde mental que se faz com estas pessoas. Para se tornar um operador de telemarketing, por exemplo, é preciso ter um repertório, falar corretamente e saber dar soluções. E por estas razões a ilusão de que “qualquer pessoa” pode ser um operador de telemarketing é perigosa!

Há muitos anos assisti a um seminário com James C. Collins, autor do livro “Feitas para Durar”. Num dado momento ele perguntou aos empresários brasileiros que lotavam a platéia qual é a área mais importante de uma empresa. As respostas de nossos empresários foram: T.I., finanças, vendas, logística. Collins, com seu jeito extrovertido, disse: Não, a área mais importante de uma empresa é Recrutamento e Seleção, ela é a base de toda uma empresa. A maioria dos empresários presentes franziu o nariz e debochou deste comentário de Collins naquele dia. Embora este evento tenha ocorrido há muito mais de 10 anos, acredito que nosso empresariado esteja ainda valorizando muito pouco esta área, e tampouco investindo nela.

Chega de barganhar para selecionar, é preciso tirar a mão do bolso! Quem se habilita?

Perguntas de seleção mais esdrúxulas feitas por empresas de todo o mundo em 2010!


Na roda viva dos processos seletivos, os entrevistadores têm apostado em perguntas incomuns e inesperadas, capazes de desconcertar até o mais preparado dos candidatos. O site americano Glassdoor, especializado em mercado de trabalho, selecionou as mais esdrúxulas, entre dezenas de milhares feitas em entrevistas de empresas de todo o mundo no ano passado. Confira:

1. "Se você fosse reduzido ao tamanho de um lápis e colocado num liquidificador, como você sairia dele?" - Pergunta do Goldman Sachs

2. "Conte o que aconteceu neste país durante os últimos dez anos." - Pergunta da Boston Consulting

3. "Numa escala de 1 a 10, avalie o quanto estranho você é." - Pergunta da Capital One

4. "Quantas bolas de basquete caberiam nesta sala?" - Pergunta do Google

5. "Qual a menor quantidade de corridas necessárias para se selecionar os três mais rápidos, entre 25 cavalos, sabendo que em cada páreo correm cinco?" - Pergunta da Bloomberg LP

6. "Se você pudesse ser qualquer super-herói, qual você seria?" - Pergunta da AT&T

7. "Dado os números de 1 a 1.000, qual é o mínimo de suposições necessárias para se encontrar um número específico, se você recebe a dica de "mais alto" ou "mais baixo" para cada palpite que você faz?" - Pergunta do Facebook

8. "Se você teve 5.623 participantes em um torneio, quantos jogos teriam de ser jogados para se chegar a um vencedor?" - Pergunta do Amazon

9. "Há três caixas, uma contendo apenas maçãs, outra contendo somente laranjas e a terceira contendo maçãs e laranjas. As caixas foram incorretamente rotuladas de tal forma que nenhum rótulo identifica seu real conteúdo. Abrindo apenas uma caixa, e sem olhar para dentro, você tira uma fruta. Ao olhar para ela, como você pode imediatamente rotular todas as caixas corretamente? " - Pergunta da Apple

10. "Quantos semáforos há em Manhattan?" - Pergunta da Argus Information & Advisory Services

11. "Como são feitos os M&M´s?" - Pergunta do US Bank

12. "Como você pesa um elefante sem usar uma balança?" - Pergunta da IBM

13. "Por que, na sua opinião, apenas um pequeno percentual da população faz mais que 150 mil dólares/ano?" - Pergunta da New York Life

14. "Quantas garrafas de cerveja foram consumidas na cidade durante a semana?" - Pergunta da The Nielsen Company

15. "O que você faria se acabasse de herdar a pizzaria de seu tio?" - Pergunta da Volkswagen

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Pedreiros cinquentões se reciclam para não sair dos canteiros!


Desenvolvi um projeto para uma grande construtora que regularmente se depara com problemas de mão de obra. Não só de recrutamento e seleção como também de retenção. Aquele Pedreiro, Carpinteiro, Armador e outros cargos tão importantes em uma obra devem ser vistos sob a ótica de "Retenção de Talentos" pela Gestão de RH. Hoje no Brasil, temos um "apagão" geral de mão de obra praticamente em todos os segmentos e as empresas se voltam às práticas dos anos 80: Treinar e formar mão de obra. Há tempos que os profissionais de construção civil, "bons de serviço", voltaram aos canteiros de obras devido à escassez de mão de obra jovem disposta a trabalhar!

A matéria a seguir aborda bem o assunto:

O vigor da juventude e as vantagens de ser um nativo da era da informação e da informática fizeram da geração Y o grande objeto de desejo do mercado. Conceitos de gestão têm mudado para atender às suas urgentes – e inéditas – demandas; e empresas têm se flexibilizado ao máximo para ganharem o status de emprego dos sonhos para esses jovens prodígios.

Mas isso não significa que a boa e velha experiência tenha sido deixada de lado. É o que afirma a gerente-geral do projeto Doutores da Construção, Katia Matias. Essa iniciativa promove cursos a distância em materiais e processos na área de construção civil e já capacitou 53 mil profissionais. Desse contingente, 12% têm 55 anos ou mais. E é esse o número a ser comemorado. “Talvez esteja passando um pouco essa onda de supervalorização do jovem”, enxerga Katia ao analisar a porcentagem. “E eu vejo que agora, mesmo quando a gente fala do mercado para executivos, começa a se valorizar novamente quem tem experiência.”

A gerente analisa que os cerca de 6.500 profissionais seniores que já passaram pelos diversos cursos de treinamento do programa representam um fato relevante – sobretudo, quando observado o contexto no qual o número se apresenta. “O mercado de trabalho como um todo é um pouco cruel com relação às pessoas que estão numa faixa etária mais avançada”, avalia. “Geralmente são os jovens que têm oportunidade. “Mas esses profissionais mais seniores, que são aqueles que têm experiência, estão buscando a capacitação para poderem caminhar com esses jovens no mercado de trabalho.

Katia afirma ainda que, além de aquecido, o setor da construção civil está também entre os que mais têm demandado mão de obra qualificada. “E atualização dos conhecimentos aliada a uma maior experiência acaba sendo imbatível.” Ela completa que o aumento da expectativa de vida também tem feito esses profissionais reverem suas atitudes e decisões no momento que normalmente se aposentariam. “As pessoas ficam ativas por mais tempo”, diz. “Na verdade, em muitos casos, elas têm que continuar trabalhando.”

O valor da experiência

Para o pedreiro Adilson da Silva, de 55 anos, pendurar as chuteiras não está nos planos. Por isso procurou reciclar seus conhecimentos para agregar teoria à sua prática de 32 anos – e com isso se tornar um profissional que todo mundo ainda quer contratar. “Nunca me faltou trabalho por causa de idade, graças a Deus”, conta. “Mas já vi isso acontecer com colegas meus, e foi mais pela falta de conhecimento do que pela idade.”

Adilson afirma ter sentido a diferente de voltar ao canteiro de obras com algo a mais na bagagem além da experiência do dia a dia de trabalho desses anos todos. “Principalmente na fundação da obra”, exemplifica. “Durante o tempo em que fiz o curso do Doutores da Construção, eu estava para iniciar uma obra. Então já comecei esse trabalho com muito mais facilidade – coisas como impermeabilizar o alicerce, fazer o alicerce mais alto, essas coisas para mim foram super importantes.”
 E o pedreiro ainda vê ainda muito mais trabalho no futuro. “Eu acho que daqui para frente vai ser melhor”, acredita. “Porque agora eu posso repassar esses conhecimentos novos para os pedreiros e serventes que trabalham comigo.”

O engenheiro mecânico Sérgio Teixeira de Campos, de 62 anos, há duas décadas é dono de uma empresa de reformas. Para o empresário, a experiência é algo que ele não troca por nada – “Com tantos anos de prática, o que mais eu tenho é segurança naquilo que eu faço”, ressalta –, mas é algo que se complementa. “Quando um profissional estuda, melhora sua autoestima, ele se dá valor”, analisa. “Além disso, tem o benefício do conhecimento propriamente dito, que leva o profissional a procurar negócio, dinheiro. Então, não é também só massagear o ego, a pessoa quer entrar no mercado para ganhar dinheiro.”

Sérgio não concorda que haja um momento para um profissional se aposentar. Desde que se mantenha capaz de contribuir com seu trabalho. Esse é o seu caso, como diz. “Se eu estou trabalhando ainda nessa idade, das duas uma: ou eu preciso ou eu gosto. E no meu caso são as duas coisas”, brinca.

Doutores da Construção

O Programa Doutores da Construção atua promovendo o desenvolvimento da cadeia produtiva do setor da construção civil, por meio da qualificação dos profissionais da área com cursos em diversas áreas – como hidráulica, elétrica e acabamento, entre outras. “O foco da Doutores é a reciclagem profissional”, sintetiza Katia Matias. “A gente trabalha com aquele profissional que já tem uma experiência, que já atua no mercado, levando novidades em materiais, processos etc. Atualmente, das 241 lojas de material de construção credenciadas no projeto, em todo o Brasil, 109 funcionam também centros de treinamento.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Recomendação para Universitários

Fernando Antônio Gonçalves - Jornal do Commercio/PE, 22.11.2010

Num dos seus prefácios, o educador Paulo Freire parece se dirigir aos professores e concluintes do ensino superior brasileiro: “É dever de quem escreve facilitar a compreensão de suas idéias, de seus sonhos, de seu saber através de uma linguagem elegante à procura constante do momento da sua boniteza”. E sintetiza cativante: “Cada vez se diz mais, nos dias que correm, que a educação de que se precisa hoje não tem nada a ver com o sonho, com utopia, conscientização e sim com o treinamento técnico e científico-profissional do educando. É exatamente isso que sempre interessou às classes dominantes: a despolitização da educação. Na verdade a educação precisa tanto da formação técnica, científica e profissional quanto do sonho e da utopia”.

Os atores do terceiro grau de ensino necessitam, de uma vez por todas, assimilar uma notável lição contemporânea: os mapas estão superados. O instrumento ideal para perscrutar os horizontes do amanhã é a bússola, ícone do profissional contemporâneo. Ela aponta direções, subsidia comportamentos estratégicos, fortalecendo profissionalidades e consolidando posturas inovadoras. E também balizando as avaliações acerca das quebras de hierarquias, dos caos desagregadores e das iniquidades e injustiças que violentam a dignidade do ser humano.

Acredito que há três tipos de universitários: os autoconscientes, autônomos e seguros de seus próprios horizontes e limites; os mergulhados, inundados por suas emoções e incapazes de safar-se delas; e os resignados, os que aceitam passivamente viver como são, num laisser-faire suicida, num “como Deus quis”, como se Ele fosse o responsável pela incapacidade de “levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima”.

O sempre lembrado Celso Furtado, de saudosa memória, patrono da Turma de Economistas 1966 da Universidade Católica de Pernambuco, vez por outra relembrava aos seus assessores na SUDENE: “Não podemos desconhecer que é imensa a responsabilidade dos homens chamados a tomar certas decisões políticas no futuro. E somente a cidadania consciente da universalidade dos valores que unem os homens livres pode garantir a justeza das decisões políticas”. E a lição de Martin Luther King, de uma clarividência estupendamente contemporânea, deveria ser balizamento primeiro de todo caminhar profissional: “É melhor tentar e falhar, que preocupar-se e ver a vida passar; É melhor tentar ainda que em vão, que sentar-se fazendo nada até o final; Eu prefiro na chuva caminhar, que em dias tristes em casa me esconder; Prefiro ser feliz, embora louco, que em conformidade viver”.

Lamentavelmente, um sentimento de frustração se manifesta quando, num grupo, se percebe o “distanciamento” de alguém sobre um determinado assunto. O desconhecimento de História torna mais difícil a compreensão dos fenômenos comunitários. Felizmente, um grupo cada vez maior está percebendo a necessidade de uma leitura mais focada nos acontecimentos dos ontens e ante-ontens mundiais. Sem precisar ler Cesare Cantú, num sei quantos volumes, recomendaria aos atores do ensino superior um livro que possibilitará uma relação viva com um nível cultural compatível com as exigências da sociedade moderna. De autoria de Dietrich Schwanitz (1940-2004), Cultura Geral – tudo o que se deve saber, Martins Fontes, 2007, aborda cronologicamente assuntos que muito ampliarão os seus conhecimentos, tornando-os mais situados e datados, na expressão paulofreireana.

Num estilo jornalístico, o livro de Schwanitz parte das cidades-Estado gregas até o limiar do atual século. Trazendo capítulos específicos sobre Arte, Música, Filosofia, Linguagem, Inteligência, Talento e Criatividade. Com anexos cronológicos, a relação dos livros que mudaram o mundo e os mais recomendados para a obtenção de uma boa visão do conjunto, favorecendo, em cada um, a procura do seu próprio desenvolvimento pessoal.

Fernando Antonio Gonçalves foi Secretário Estadual de Educação e Cultura de Pernambuco e é pesquisador aposentado da Fundação Joaquim Nabuco, hoje integrando o seu Conselho Diretor. Também integra o Conselho Diretor da Fundação Gilberto Freyre. Também é articulista do Jornal do Commércio de Recife/PE.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Consejos para un año nuevo!

Antonio J. Alonso - Coaching - España


1 … OBJETIVO DESTACADO y principal cada día para focalizar tu interés en conseguir, al menos, eso que te has propuesto y consideras valioso para ti o los demás (si fallas poco, habrás conseguido terminar el año con casi 365 pequeños éxitos y te sorprenderás de lo alcanzado).

2 … luminosas SONRISAS DIARIAS regaladas y sin importar a quien que, además de presentarte mejor hacia los demás, contribuirán a positivar tu carácter en todo momento.

3 … días a la semana de restaurador EJERCICIO FÍSICO cardio-saludable, eligiendo la modalidad que mejor se ajuste a tus gustos y posibilidades, el lugar que menos inconvenientes te presente y los momentos más compatibles con tus obligaciones cotidianas.

4 … reflexivas revisiones trimestrales de tus METAS ANUALES para comprobar su desarrollo y administrar, de ser necesario, las medidas correctoras que sean precisas para conseguir eso que te has propuesto y llena de motivador e ilusionante contenido tu próximo e irremplazable año por vivir.

5 … minutos diarios para PLANIFICAR LAS TAREAS principales del día siguiente, con objeto de priorizarlas y defenderlas de todas esas otras secundarias que siempre intentan colarse en tu tiempo, robándolo y desperdiciándolo sin otro sentido que el de la más pura frustración.

6 … cálidas LLAMADAS TELEFÓNICAS cada mes a tus familiares y amigos para que “la falta de tiempo” no sea nunca más la justificación que te lleve a perder el contacto personal con aquellos a quien aprecias.

7 … días por semana ofreciendo BUEN HUMOR, a tu estilo pero respetando siempre la idiosincrasia de tu interlocutor.

8 … es la hora que no conviene rebasar para FINALIZAR EL TRABAJO cada día, considerando que no por extender más tu horario laboral eres más eficaz y que además, o tú mismo o alguien siempre te lo agradecerá.

9 … veces al día ESCUCHA EMPÁTICAMENTE a los demás, cediéndoles tu tiempo para que expresen serenamente sus ideas y comprendiendo estas en función de su situación y circunstancias vivenciales.

10 … minutos diarios al menos de LECTURA PLACENTERA en el soporte que prefieras, alejada de lo estrictamente profesional o lo meramente informativo, buscando el conocimiento a partir más de las emociones sensoriales que de las razones cartesianas.

11 … “GRACIAS” y “POR FAVOR” dichos antes de ponerse el sol, que deben poblar tus frases para llenarlas de amable y recompensatoria educación.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Avaliações sobre a pesquisa científica em Administração no Brasil!

Thomaz Wood Jr.

Avaliações sobre a pesquisa científica em Administração no Brasil costumam chegar a uma triste conclusão: nossa produção é periférica e metodologicamente fraca.

A afirmação de que a pesquisa científica é essencial para o progresso material e para a melhora das condições de vida de um país é axiomática. As nações desenvolvidas criaram gigantescos aparatos, verdadeiras usinas de ideias, para identificar grandes questões, realizar estudos e gerar conhecimento e patentes. As nações em desenvolvimento correm em busca do tempo perdido.

As ciências contam hoje com sofisticados sistemas de pesquisa, compostos de laboratórios, eventos acadêmicos, agências de financiamento, publicações científicas e um exército bem formado de pesquisadores. O campo da Administração, ciência adolescente entre os pares mais maduros, vem se desenvolvendo rapidamente. Não lhe faltam fenômenos a explicar e questões práticas a resolver. Afinal, o mundo gira, a economia roda e as empresas mudam.

Aos olhos de um visitante estrangeiro, o campo da pesquisa científica em Administração no Brasil é pujante. Os programas de mestrado e doutorado contam-se às dezenas. Os eventos científicos reúnem centenas de convivas. Os periódicos especializados multiplicam-se. Os números são celebrados.

No entanto, o sucesso aparente não resiste a um exame crítico. Avaliações sobre o estado das coisas da pesquisa científica em Administração no Brasil costumam chegar a uma triste conclusão: nossa produção é periférica, pouco informada sobre os desenvolvimentos mais recentes do campo, metodologicamente fraca e traz modesta contribuição, se alguma, para o progresso da ciência e para a prática administrativa. Vejam-se os principais periódicos internacionais da área e lá serão encontrados representantes das mais diversas nacionalidades, mas raramente um brasileiro. E se um nativo houver, será um herói solitário ou um imigrante.

Em um texto veiculado no site Administradores.com, Paulo Prochno, professor da Universidade de Maryland, põe o dedo na ferida. Sob o título “O que há de errado com a área acadêmica de Administração no Brasil”, o pesquisador lista e analisa as patologias locais. Prochno acredita que o País tem alunos e professores com bom potencial, porém, eles frequentemente desperdiçam seu talento. Outras áreas no Brasil destacam-se internacionalmente. Outros países emergentes se destacam internacionalmente. Então, o que impede a área de Administração de ter maior presença internacional?

O primeiro entrave citado por Prochno é o famoso (no meio acadêmico) “jogo dos pontinhos da Capes”, uma patologia que pode ser fatal. O pesquisador refere-se ao sistema de avaliação de programas de pós-graduação mantido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O sistema, que é na verdade gerido por representantes dos próprios programas de pós-graduação, atribui pontos de acordo com as publicações realizadas pelos professores de cada programa. Para serem bem avaliados, os programas e seus professores precisam atingir certos patamares de pontuação.

Estabelece-se, assim, um sistema pretensamente racional, mas que na prática induz a quantidade em detrimento da qualidade. Preocupados com seus cargos, muitos professores preferem alvos fáceis – publicar em periódicos de segunda linha – a alvos difíceis – publicar em periódicos de primeira linha, que são os que realmente importam. Resultado: multiplicam-se irrelevâncias pseudoeruditas. Pior ainda: está se formando no País uma geração de burocratas da pesquisa, mais preocupados em gerar os “pontinhos” mencionados por Prochno do que em produzir conhecimento de valor. Estamos nutrindo um grupo frágil, cavernícola, incapaz de entender e explicar o mundo real. Nas escolas brasileiras, a sigla Capes, independentemente dos méritos da instituição, converteu-se em um ser mítico, usualmente citado para validar o status quo. Discute-se cada vez mais como conseguir os “pontinhos” e cada vez menos o que pesquisar e como pesquisar.

O debate convocado por Prochno não é novo ou apenas local. A irrelevância da área acadêmica de Administração tem sido alvo de avaliações críticas há bastante tempo e nos mais diversos rincões. A academia brasileira de Administração vem mudando, mas segue rumo e ritmo ditados por interesses próprios, alheia às necessidades do País e ao contexto internacional. A soma de duas doses de boas intenções com três doses de interesse próprio e uma dose de burocracia kafkiana está a perpetuar um sistema ineficaz e caro, que sobrevive iludido por índices fictícios de produtividade. Sistemas autogeridos, como se sabe, podem se tornar extremamente resistentes a mudanças. Resta aos pesquisadores locais a opção de se submeterem à lógica dos pontinhos ou procurarem saídas pessoais, eventualmente por meio de um aeroporto, como fez o próprio Prochno.

CartaCapital - Thomaz Wood Jr.