quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Releitura: Aprenda a implantar o RH do zero!

 

Faço uma releitura do artigo escrito mais lido no meu Blog!

Numa segunda-feira, logo cedo, o Diretor entra na sala do Zé. O susto foi grande.
Zé, bom dia. Vamos começar a implantar o RH. Vai pensando nisso!



Quando alguém de RH “sai da caixinha”, começa a perceber que os processos de gestão de recursos humanos residem, essencialmente, na liberdade de criação. Ressalvados os aspectos legais que regem as relações trabalhistas, previdenciárias e sindicais, todos os demais processos estão abertos à inovação.

Formulação, desenvolvimento, aplicação e validação. Pronto. Mais uma ferramenta de gestão de recursos humanos acaba de nascer.

O que se observa nos processos e ferramentas de RH existentes é a ideia central do produto e dos resultados que se pretende alcançar: avaliar e descrever cargos, medir desempenho, avaliar capacitação e perfil psicológico, construir indicadores, pesquisar satisfação interna e clima organizacional, entre outros.

A forma de fazer, no entanto, depende da nossa capacidade criativa. Ou caímos na mesmice, ou articulamos novas ideias.

Você não vai inventar uma nova fórmula estatística para calcular uma média ponderada, por exemplo. Mas pode, perfeitamente, refinar o seu olhar e atribuir novas interpretações aos resultados obtidos a partir das amostras analisadas.

Para iniciar a implantação de uma área de RH de forma prática e tecnicamente sustentável, imaginemos que o Diretor administre uma fábrica familiar de embalagens para cosméticos, com cerca de 120 colaboradores — 90 deles atuando diretamente nas linhas de produção.

A área de documentação, registros e folha de pagamento é terceirizada, e apenas um funcionário, o Zé, responde pelo Departamento Pessoal. Por onde ele deve começar?

Vamos ajudar o Zé nessa empreitada: implantar o RH.

O primeiro passo é realizar um diagnóstico organizacional, compreendendo profundamente a estrutura da empresa e os seus sistemas de negócio. Essas informações são essenciais e devem ser obtidas junto aos colaboradores estratégicos, por meio de entrevistas e/ou questionários de diagnóstico previamente elaborados.

Consideram-se colaboradores estratégicos aqueles que ocupam cargos de gestão ou atuam em funções de assessoria na formulação de diretrizes e no suporte às decisões. Mas como elaborar esse questionário?

O questionário de diagnóstico deve permitir compreender o planejamento estratégico, a visão que gestores e assessores têm da empresa, do mercado em que atua e da concorrência. Quais são os desafios e perspectivas? Como funcionam e como são avaliados os sistemas de informação, métodos e processos de trabalho? De que forma a área de RH pode contribuir para o crescimento da empresa?

Na sequência, Zé deve definir, junto à Direção, a missão e os valores da empresa, segundo a visão dos sócios.

A partir daí, chega-se às competências essenciais — aquelas desejáveis e comuns a todos os colaboradores, independentemente do nível hierárquico. São essas competências que permitem à empresa diferenciar-se no mercado.

É comum que muitas organizações definam competências genéricas e óbvias, como orientação para resultados, foco no cliente, proatividade e resolução de problemas. A verdadeira diferença está em saber trabalhar essas competências de acordo com o contexto da empresa e com os recursos humanos disponíveis ou necessários.

Com as competências essenciais definidas, Zé já pode desenvolver o seu primeiro grande produto: um sistema de gestão e avaliação de desempenho.

Cada competência pode ser transformada em um fator de avaliação comum a todos os colaboradores. Podem ser elaborados, por exemplo, dois formulários: um para gestores e outro para não gestores. Supondo cinco competências essenciais comuns aos dois grupos e outras cinco específicas para cada um, basta formular, desenvolver e validar a metodologia de avaliação e ponderação.

Antes de avançar para outros processos, é fundamental conhecer a percepção dos colaboradores: como eles veem a empresa e o próprio Zé. Para isso, deve-se medir o grau de satisfação, relacionamento e motivação em relação ao ambiente interno, tanto setorial quanto coletivo. Assim nasce a pesquisa de satisfação e clima organizacional.

O questionário deve mapear fatores críticos do momento motivacional, identificando pontos fortes, deficiências, expectativas e aspirações. A partir das análises, será possível estabelecer prioridades de intervenção.

Muito trabalho, não é, Zé? Mas vamos continuar.

O próximo passo é formular, desenvolver e validar novos critérios para os planos de cargos, carreiras e salários. Comece definindo os grupos ocupacionais (gestores, administrativos, operacionais, vendas, etc.) e os objetivos do novo modelo: descrições de cargos orientadas a processos, competências técnicas e funcionais claras, critérios de mobilidade, políticas de valorização, reconhecimento e progressão salarial baseadas em critérios legítimos.

Com as descrições de cargos, será possível mapear o nível de conhecimento e envolvimento dos colaboradores nos processos, identificar o banco de conhecimentos existente e o desejável, apoiar a classificação por níveis (Júnior, Pleno e Sénior) e estruturar programas de capacitação.

Agora, Zé, conheça os sistemas públicos de avaliação e classificação de cargos. Adote e customize um deles, ou desenvolva uma metodologia própria, validada com base nos conhecimentos adquiridos.

Para validar os planos de cargos, carreiras e salários e definir uma política salarial alinhada ao mercado, realize uma pesquisa salarial e de práticas de RH, envolvendo empresas concorrentes e organizações da região que influenciem o mercado de trabalho local.

Elabore relatórios gerenciais de acompanhamento dos processos criados e solicite à empresa terceirizada a emissão de dados com base nos sistemas de cadastro e folha de pagamento.

A essa altura, Zé, já foram estruturados seis processos básicos de gestão de pessoas:

Manter pessoas: satisfação interna e clima organizacional;

Conhecer pessoas: avaliação de desempenho;

Recompensar pessoas: cargos e remuneração;

Atrair pessoas: competências para recrutamento e seleção;

Desenvolver pessoas: programas de capacitação;

Monitorar pessoas: acompanhamento e verificação de resultados.

Zé, está a um passo de transformar o Departamento Pessoal num verdadeiro Departamento de Gestão de Pessoas.

E, se surgirem dúvidas ao longo do caminho, não hesite: contrata um bom Consultor de RH para apoiar essa jornada.