quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Será que os jovens estão cansados da prática de trocar de emprego apenas para avançar na carreira...

 Uma pesquisa realizada pela Cia de Talentos em 2021, com jovens brasileiros, com o objetivo de entender suas expectativas em relação à empresa dos sonhos para trabalhar, traz um dado que chamou minha atenção. Entre aproximadamente 35 mil participantes na faixa dos 20 a 30 anos, mais de 20% acredita que o tempo ideal para permanecer em uma empresa seria superior a 20 anos. Isso é surpreendente, especialmente considerando todas as influências da globalização, que costumam trazer tendências mais dinâmicas e modernas. Permanecer por tanto tempo na mesma empresa parece, no mínimo, algo fora do comum.




Será que os jovens estão cansados da prática de trocar de emprego apenas para avançar na carreira, sem ter apego ou satisfação com o local onde trabalham? Será que muitos deles já se arrependeram de decisões tomadas com esse objetivo? A pesquisa também revelou que muitos desejam ser reconhecidos, ter um bom ambiente de trabalho, oportunidades de desenvolvimento profissional, qualidade de vida, gostar da empresa e se comprometer com ela por longo prazo. Estaríamos diante de uma mudança real e significativa?


Fatores como a falta de estrutura familiar, a indefinição de carreira e a busca por um parceiro(a) para construir uma relação estável — que leve à formação de uma família e a um futuro sólido — podem explicar essa tendência. Ninguém quer chegar aos 40 anos com plena saúde física e vigor, mas ser visto como ultrapassado no mercado de trabalho por conta da idade. E o pior, ser jovem para a vida, mas velho para o trabalho, ainda solteiro e sem estabilidade pessoal. Algo está realmente errado, e talvez essa resposta esteja nas entrelinhas da pesquisa.


Atualmente, os relacionamentos afetivos estão fragilizados pela falta de confiança, afetividade e sinceridade. As pessoas evitam abrir o coração para não sofrerem decepções, mas o sofrimento é inevitável. Muitos relacionamentos são frágeis devido a escolhas mal feitas ou falta de critério na escolha da pessoa com quem se relacionar. Quem não gostaria de amar e ser amado? Quem não sonha com um amor eterno, que resista à idade, ao status social e às dificuldades da vida a dois? Esses jovens, segundo a pesquisa, demonstram esse desejo profundo.


Ter um bom emprego, amar intensamente, ter filhos, formar uma família e sentir orgulho disso tudo é o futuro que esses jovens indicam claramente. Está na hora de refletirmos sobre isso.



quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Releitura: Aprenda a implantar o RH do zero!

 

Faço uma releitura do artigo escrito mais lido no meu Blog!

Numa segunda-feira, logo cedo, o Diretor entra na sala do Zé. O susto foi grande.
Zé, bom dia. Vamos começar a implantar o RH. Vai pensando nisso!



Quando alguém de RH “sai da caixinha”, começa a perceber que os processos de gestão de recursos humanos residem, essencialmente, na liberdade de criação. Ressalvados os aspectos legais que regem as relações trabalhistas, previdenciárias e sindicais, todos os demais processos estão abertos à inovação.

Formulação, desenvolvimento, aplicação e validação. Pronto. Mais uma ferramenta de gestão de recursos humanos acaba de nascer.

O que se observa nos processos e ferramentas de RH existentes é a ideia central do produto e dos resultados que se pretende alcançar: avaliar e descrever cargos, medir desempenho, avaliar capacitação e perfil psicológico, construir indicadores, pesquisar satisfação interna e clima organizacional, entre outros.

A forma de fazer, no entanto, depende da nossa capacidade criativa. Ou caímos na mesmice, ou articulamos novas ideias.

Você não vai inventar uma nova fórmula estatística para calcular uma média ponderada, por exemplo. Mas pode, perfeitamente, refinar o seu olhar e atribuir novas interpretações aos resultados obtidos a partir das amostras analisadas.

Para iniciar a implantação de uma área de RH de forma prática e tecnicamente sustentável, imaginemos que o Diretor administre uma fábrica familiar de embalagens para cosméticos, com cerca de 120 colaboradores — 90 deles atuando diretamente nas linhas de produção.

A área de documentação, registros e folha de pagamento é terceirizada, e apenas um funcionário, o Zé, responde pelo Departamento Pessoal. Por onde ele deve começar?

Vamos ajudar o Zé nessa empreitada: implantar o RH.

O primeiro passo é realizar um diagnóstico organizacional, compreendendo profundamente a estrutura da empresa e os seus sistemas de negócio. Essas informações são essenciais e devem ser obtidas junto aos colaboradores estratégicos, por meio de entrevistas e/ou questionários de diagnóstico previamente elaborados.

Consideram-se colaboradores estratégicos aqueles que ocupam cargos de gestão ou atuam em funções de assessoria na formulação de diretrizes e no suporte às decisões. Mas como elaborar esse questionário?

O questionário de diagnóstico deve permitir compreender o planejamento estratégico, a visão que gestores e assessores têm da empresa, do mercado em que atua e da concorrência. Quais são os desafios e perspectivas? Como funcionam e como são avaliados os sistemas de informação, métodos e processos de trabalho? De que forma a área de RH pode contribuir para o crescimento da empresa?

Na sequência, Zé deve definir, junto à Direção, a missão e os valores da empresa, segundo a visão dos sócios.

A partir daí, chega-se às competências essenciais — aquelas desejáveis e comuns a todos os colaboradores, independentemente do nível hierárquico. São essas competências que permitem à empresa diferenciar-se no mercado.

É comum que muitas organizações definam competências genéricas e óbvias, como orientação para resultados, foco no cliente, proatividade e resolução de problemas. A verdadeira diferença está em saber trabalhar essas competências de acordo com o contexto da empresa e com os recursos humanos disponíveis ou necessários.

Com as competências essenciais definidas, Zé já pode desenvolver o seu primeiro grande produto: um sistema de gestão e avaliação de desempenho.

Cada competência pode ser transformada em um fator de avaliação comum a todos os colaboradores. Podem ser elaborados, por exemplo, dois formulários: um para gestores e outro para não gestores. Supondo cinco competências essenciais comuns aos dois grupos e outras cinco específicas para cada um, basta formular, desenvolver e validar a metodologia de avaliação e ponderação.

Antes de avançar para outros processos, é fundamental conhecer a percepção dos colaboradores: como eles veem a empresa e o próprio Zé. Para isso, deve-se medir o grau de satisfação, relacionamento e motivação em relação ao ambiente interno, tanto setorial quanto coletivo. Assim nasce a pesquisa de satisfação e clima organizacional.

O questionário deve mapear fatores críticos do momento motivacional, identificando pontos fortes, deficiências, expectativas e aspirações. A partir das análises, será possível estabelecer prioridades de intervenção.

Muito trabalho, não é, Zé? Mas vamos continuar.

O próximo passo é formular, desenvolver e validar novos critérios para os planos de cargos, carreiras e salários. Comece definindo os grupos ocupacionais (gestores, administrativos, operacionais, vendas, etc.) e os objetivos do novo modelo: descrições de cargos orientadas a processos, competências técnicas e funcionais claras, critérios de mobilidade, políticas de valorização, reconhecimento e progressão salarial baseadas em critérios legítimos.

Com as descrições de cargos, será possível mapear o nível de conhecimento e envolvimento dos colaboradores nos processos, identificar o banco de conhecimentos existente e o desejável, apoiar a classificação por níveis (Júnior, Pleno e Sénior) e estruturar programas de capacitação.

Agora, Zé, conheça os sistemas públicos de avaliação e classificação de cargos. Adote e customize um deles, ou desenvolva uma metodologia própria, validada com base nos conhecimentos adquiridos.

Para validar os planos de cargos, carreiras e salários e definir uma política salarial alinhada ao mercado, realize uma pesquisa salarial e de práticas de RH, envolvendo empresas concorrentes e organizações da região que influenciem o mercado de trabalho local.

Elabore relatórios gerenciais de acompanhamento dos processos criados e solicite à empresa terceirizada a emissão de dados com base nos sistemas de cadastro e folha de pagamento.

A essa altura, Zé, já foram estruturados seis processos básicos de gestão de pessoas:

Manter pessoas: satisfação interna e clima organizacional;

Conhecer pessoas: avaliação de desempenho;

Recompensar pessoas: cargos e remuneração;

Atrair pessoas: competências para recrutamento e seleção;

Desenvolver pessoas: programas de capacitação;

Monitorar pessoas: acompanhamento e verificação de resultados.

Zé, está a um passo de transformar o Departamento Pessoal num verdadeiro Departamento de Gestão de Pessoas.

E, se surgirem dúvidas ao longo do caminho, não hesite: contrata um bom Consultor de RH para apoiar essa jornada.