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terça-feira, 2 de junho de 2020

A Terra é redonda - não se pode ir à esquerda demais!


Um excelente artigo do Professor Fernando Gonçalves. Anos atrás assisti uma palestra sua em um congresso de RH em Recife, cidade em que vive. O evento saiu muito da "caixinha" e provocou diversas vezes a platéia, não acostumada a ouvir palavras e mensagens que não lhes fossem favoráveis. Foi um dos primeiros contestadores do universo RH. Me lembro que entre outras mensagens de igual teor, pediu para todos deixarem de praticar a cultura do fingimento (finge-se que a área vai bem, finge-se que toda a empresa respeita, finge-se que as atividades sempre vão de encontro às necessidades dos trabalhadores e por aí vai). Segue o artigo e boa reflexão!



"Outro dia, um não muito distanciado dos atuais, excessivamente plúmbeos, o escritor
Umberto Eco, jornalista e professor de semiologia da Universidade de Bolonha, romancista de sucesso e consagrado autor de O Nome da Rosa, também de O Pêndulo de Foucault, foi entrevistado pelo jornal francês Le Monde. Sem papas na língua, denunciou uma estupidificante indiferença moral diante dos extremismos políticos que estão proliferando no mundo inteiro, mormente os de extrema direita. Para ele, as categorias "direita" e "esquerda", radical dicotomia de quarenta anos atrás, não são mais compatíveis com os instantes históricos do agora , dadas as novas circunstâncias das atuais realidades sociopolíticas.

As últimas três décadas, aceleradamente evolucionárias, não devem provocar indiferença nos portadores de uma criticidade avessa a dogmatismos e ortodoxias. Distinções esclerosadas costumam "cegar", obstaculizando reflexões desapaixonadas, desestabilizando emocionalmente os mais jovens e os menos experientes. Ou os que, aturdidos pela velocidade da História, postulam a validade de tudo, nada recusando, tudo sendo permitido, as regras morais mais salutares não mais servindo como balizamentos comportamentais de posicionamentos políticos, táticos e estratégicos.

Defende Umberto Eco, com a responsabilidade de ser um intelectual de renome internacional, a missão de todo ser-pensante: delinear os limites entre o tolerável e o não-tolerável. Segundo ele, não há "nenhuma verdadeira diferença entre os ‘skinheads’ e os neonazistas de hoje e os nazistas da geração anterior". E vai além: "Continua sendo a mesma forma de imbecilidade e de atração pelo mal, o mesmo ódio pelos outros e o mesmo desejo de destruição".

Num país onde a ética comportamental é ridicularizada pelos que apregoam cinicamente saber levar vantagem em tudo, o pensamento desalienante deve merecer um esforço continuado, redobrado mesmo, para poder discernir entre o que se encontra ultrapassado, obsoleto, e o que é moderno, atualizado, contemporâneo. E, ainda, o que foi considerado errado no passado e o que continua errôneamente sendo feito nos dias de hoje, numa aldeia global de múltiplos e cada vez mais interdependentes contextos tribais.

Acredito que nós, brasileiros, nordestinos, pernambucanos especialmente, temos uma obrigação cidadã muito acima das agruras do cotidiano: o direito de desconfiar das posturas políticas enganosas e das ruidosas esculhambações sectárias dos messiânicos. O dever de  persistir  reconstruindo os fatos históricos do nosso ontem sob um prisma revisionista é característica maior de todo historiador cientificamente idôneo, que não se permite resvalar para os negativismos analíticos das conjunturas nunca estáveis. O próprio Umberto Eco, em sua memorável entrevista, declara que "a Terra é redonda: não se pode ir à esquerda demais". E explica: a força de perseguir a ideia mais extrema, a mais provocadora, a mais "inovadora", acaba por dar a volta e se ver situada na extrema direita. Os exemplos são centenas ao nosso derredor.

Preguiça, ignorância e incompetência, definitivamente, não são armas para quem busca transformações sociais consequentes e duradouras. George Orwell costumava dizer que os jovens intelectuais de classe média vão para a esquerda por desemprego, sempre cobrando dos outros aquilo que não podem oferecer. Por aqui, os mais exaltados são alguns fronteiriços, já efetivados nos seus cargos públicos.

Numa conferência recente, alguém escreveu num flanelógrafo: “quando quiser saber alguma coisa sobre jóias, não pergunte ao alfaiate, pergunte ao joalheiro”. Eis o caminho mais realista, menos prejudicial, mais consistente. Com apenas um porém: o consultado deve ser bom, mais que muito bom, ótimo, inspirador de muita confiança, conhecedor pleno de uma realidade, a da sua especialidade. Com os seus derredores."


*Fernando Antonio Gonçalves foi Secretário Estadual de Educação e Cultura de Pernambuco e é pesquisador aposentado da Fundação Joaquim Nabuco, Membro da Academia Recifense de Letras. Também integra o Conselho Diretor da Fundação Gilberto Freyre. Também é articulista do Jornal do Commércio de Recife/PE. Editado em 2012



terça-feira, 26 de maio de 2020

O melhor professor que já tive!


Esse texto é uma tradução de um artigo de David Owen publicado no Reader´s Digest (Edição Asiática) em abril de 1992, extraído e disponibilizado na página do professor Aaron Tan Tuck Choy, da Universidade Nacional de Singapura.

Esse texto reflete a maneira confortável de enxergar as "coisas" como elas são e não o questionamento do por que as "coisas" são assim. 

Anos atrás, quando eu frequentava minha pós graduação em RH, em uma das aulas, a Professora Cecília Bergamini fez um exercício. Tínhamos que unir umas linhas que estavam cercadas por um quadrado desenhado em um papel com apenas quatro movimentos. Quebramos a cabeça e ninguém, por fim, conseguiu o feito. Após o teste, ela comentou que em momento algum havia dito que não poderíamos sair do quadrado onde estavam as linhas para uni-las e, sem sair do quadrado, era impossível uni-las. Todos nós entendemos que as linhas tinham que ser unidas sem sair do quadrado, ou seja, não conseguimos sair dos quatro cantos de um simples desenho.

Transpondo o exemplo para o mundo corporativo, quantas vezes receamos sair da confortável posição desenhada pelos quatro cantos do nosso cargo e ousar novos questionamentos e desafios? As coisas estão aí para serem questionadas. Analise, por exemplo, as comunidades virtuais de relacionamento que você participa. Normalmente, costumam ter centenas de participantes. Lance um questionamento e observe quantos se expõem e opinam sobre o que você questionou. Com certeza você terá pouquíssimas respostas!  Devemos aprender que "Penso, logo questiono". Sem limites, só com possibilidades!

Vamos ao texto:

"O senhor Whitson ensinava ciências para a 6ª série. No primeiro dia de aula ele nos falou sobre uma criatura chamada cattywampus, um animal noturno extinto durante a Era do Gelo. Ele passou para os alunos um crânio enquanto falava. Todos nós fizemos anotações e depois respondemos a um teste sobre a aula.

Quando recebi a prova corrigida fiquei surpreso. Havia um grande e vermelho X em todas as minhas respostas. Eu havia falhado. Devia haver algum engano! Eu havia escrito exatamente o que o professor Whitson havia dito na aula. Então percebi que todos na classe haviam falhado. O que havia acontecido?

Muito simples, o professor explicou. Ele havia inventado tudo o que falou sobre o cattywampus. Aquele animal nunca havia existido, ou seja, toda a informação em nossas anotações estava errada. Nós esperávamos crédito por respostas erradas?

Desnecessário dizer, nós ficamos revoltados. Que tipo de teste era esse e que tipo de professor ele era?

Nós deveríamos ter descoberto o senhor Whitson disse. Afinal, equanto ele passava o crânio do cattywampus pela sala (que na verdade era o crânio de um gato), não estava afirmando que não havia sobrado nenhuma evidência do animal? Ele havia descrito sua incrível visão noturna, a cor de sua pelagem e muitos outros fatos que ele não poderia saber. Ele havia dado ao animal um nome ridículo e mesmo assim ninguém havia desconfiado. Os zeros em nossas provas iriam para a avaliação, ele disse. E eles foram.

O professor Whitson disse que esperava que aprendêssemos uma lição dessa experiência. Professores e livros didáticos não são infalíveis. Na verdade, ninguém é. Ele nos disse para nunca deixar nosso cérebro ficar desatento e a tomar satisfação sempre que pensássemos que ele ou qualquer livro estivessem errados.

Toda aula com o professor Whitson era uma aventura. Ainda posso lembrar de algumas aulas de ciências do começo até o final. Um dia ele nos disse que seu carro era um organismo vivo. Nós demoramos dois dias para bolar um argumento contrário que ele aceitasse. Ele não nos deixava sossegar até que houvéssemos provado não só que sabíamos o que era um organismo, mas também que tínhamos força para defender a verdade.

Nós levamos nosso recém-adquirido ceticismo para todas as nossas aulas. Isso causou problemas para os outros professores, que não estavam acostumados a serem desafiados. Nosso professor de história começava a falar sobre algum assunto e de repente alguém limpava a garganta com um “ram-ram” e dizia “cattywampus”.

Se alguém me pedisse uma proposta para solucionar os problemas de nossas escolas, ela seria o professor Whitson. Eu não fiz nenhuma grande descoberta científica, mas ele deu a mim e meus colegas de classe algo tão importante quanto: a coragem de olhar outra pessoa no olho e dizer que ela está errada. Ele também nos mostrou que você pode se divertir nesse processo.

Nem todo mundo vê valor nisso. Uma vez contei sobre o senhor Whitson a um professor de ensino fundamental, que ficou horrorizado. “Ele não devia ter enganado você assim”, disse. Eu o olhei nos olhos e disse que ele estava errado.

O texto acima é um dos materiais mais interessantes que já vi sobre como o professor pode – e deve – ser o veículo de transformação de maior importância para os alunos. Sou da opinião que a proposta de ensino do prof. Whitson deve ser a pedra fundamental na formação de novos professores e na reciclagem dos veteranos, principalmente – mas não somente – nas disciplinas ligadas à Ciência."


Como estarão os jovens que responderam a pesquisa?


Fonte: HSM Online - Antonio Geraldo Wolff

Pesquisa realizada pela Cia de Talentos em 2016, junto ao público jovem, objetivando avaliar a pretensão desses jovens com relação as suas expectativas sobre qual seria a empresa dos seus sonhos para trabalhar, dentre as diversas perguntas feitas, uma chamou minha atenção. Esse grupo, cerca de 35 mil brasileiros na faixa dos  20 e 30 anos de idade, num percentual acima de 20%, considerou que o tempo ideal de permanência numa empresa deveria ser de mais de 20 anos. É de se estranhar, e muito, que com todas as influências da globalização, um grande número de itens da pesquisa demonstre uma tendência normal para o moderno, para o atual. Mas, permanecer mais de 20 anos numa mesma empresa me pareceu no mínimo fora dos padrões.

Será que os jovens estão cansados dessa prática de trocar de empresa para progredir na carreira sem sequer se dar ao trabalho de gostar dela? Será que muitos deles já não se arrependeram de eventual atitude tomada nesse sentido? Será que, como demonstrou a pesquisa, muitos gostariam de ser reconhecidos, ter um bom ambiente de trabalho, ter desenvolvimento profissional, ter uma boa qualidade de vida e também gostar da empresa e ficar comprometido com a organização por um longo período? Será que não é uma mudança que está aí estampada?

Na minha singela opinião e, rogo a Deus que isso seja verdade, a falta de estrutura familiar, a indefinição de carreira, a busca de uma companheira ou de um companheiro definitivo, que possa proporcionar uma relação conjugal estável, que gere filhos, gere uma família, proporcione futuro, é a razão disso tudo. Ninguém mais está querendo ser uma pessoa com 40 anos, sentindo-se plenamente no vigor de sua forma física e atlética, tendo o mercado de trabalho o considerando ultrapassado em razão de sua idade. E o pior, é novo para a vida, é velho para o trabalho e ainda solteiro ou solteira.  Algo está errado. Talvez a resposta esteja embutida nas entrelinhas dessa pesquisa.

Os relacionamentos afetivos atualmente estão totalmente comprometidos em razão da falta de afetividade, confiança e verdade. Ninguém abre mais o seu coração com medo da decepção. Ninguém quer sofrer, mas é só o que ocorre. Todos os relacionamentos ficaram vulneráveis ou pela escolha mal feita ou pela falta de critério na escolha. Quem não gostaria de amar e ser amado? Quem não gostaria de amar eternamente, e para a vida toda? Com todas as circunstâncias da idade, do status social ou das adversidades que a vida em comum possa proporcionar? Quem não gostaria? Esses jovens, nessa pesquisa, deram essa demonstração.

Voltar a ter um bom emprego, amar apaixonadamente, ter filhos, constituir uma família, se orgulhar disso tudo é o futuro que foi indicado indelevelmente. É hora de avaliar!




segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Reflexões para um dezembro qualquer!



Após a edição dessa mensagem, fiquei sabendo que o texto acima poderia não ser de George Carlin, mas sim, de um pastor americano. Assim como essa mensagem foi editada como sendo de George Carlin, o poema Instantes, que circulou e ainda circula na internet não é de Jorge Luis Borges. Eu creio que os autores, anônimos ou não, um dia qualquer acordaram e criaram suas peças para justificar, criticar e validar um determinado momento em suas vidas (mesmo interpretado como piegas ou cafona). O que importou para os autores foi que a mensagem atrelada a um nome de peso, em sua primeira leitura, foi valorizada e lida. Se fossem divulgadas pelo nome do autor, a maioria desconhecido, ninguém daria muita atenção e muito menos enviaria aos amigos e contatos. Sendo assim, conseguiram dar seus recados (mensagem de amor à vida) e entraram para Associação dos Anônimos Famosos!!!!

...

Nós bebemos demais, fumamos demais, gastamos sem critérios, dirigimos rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde, acordamos muito cansados, lemos muito pouco, assistimos TV demais e rezamos raramente.

Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores. Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos frequentemente. Aprendemos a sobreviver, mas não a viver; adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos anos.

Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho. Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio.

Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores.

Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo, mas não nosso preconceito; escrevemos mais, mas aprendemos menos; planejamos mais, mas realizamos menos.

Aprendemos a nos apressar e não, a esperar.

Construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos menos.

Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta; do homem grande de caráter pequeno; lucros acentuados e relações vazias.

Essa é a era de dois empregos, vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados.

Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis, das rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas "mágicas".

Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na dispensa.

Uma era que leva essa carta a você, e uma era que te permite dividir essa reflexão ou simplesmente clicar 'delete'.

Lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama, pois elas não estarão por aqui para sempre. Por isso, valorize o que você tem e as pessoas que estão ao seu lado.


quarta-feira, 22 de agosto de 2018

PNL: A Ciência da Excelência - A Arte da Mudança - Final


James Lawley e Penny Tompkins

A "LINGÜÍSTICA" NA PNL

A linguagem determina como nós influenciamos e como nos comunicamos com os outros e conosco. É como nós rotulamos a nossa experiência. A linguagem fortalecedora gera comportamento fortalecedor. Do mesmo modo, pensamento negativo é o resultado de pensamentos enfraquecedores. ... muitas vezes fora da nossa consciência, o que limita a escolha.

Pensamento positivo ou negativo é o nosso diálogo interno, ou o que nós dizemos para nós mesmos. Tente isso, diga a seguinte frase, uma de cada vez (preenchendo o "X" com algo que se aplica a você): "Eu preciso de X", "Eu quero X", e "Eu escolho X," e perceba as diferenças nas suas reações. Por esta razão, mudar apenas uma palavra pode ter uma influência significativa no seu pensamento e, portanto, no seu comportamento. É estimado que 93% da comunicação é não verbal. Isso significa que o como você diz o que diz (entonação, volume, velocidade, etc.) carrega cinco vezes mais informação do que as palavras ditas. E como você usa o seu corpo  (gestos, expressões faciais, postura) tem ainda mais influência. A PNL transcende a tradicional teoria da "linguagem corporal" mostrando como identificar e reagir a comunicação TOTAL da outra pessoa.
Por isto a PNL descreve a dinâmica fundamental entre a mente, a linguagem e o comportamento.
A mesma metodologia subjacente tem sido aplicada para a tomada de decisão pelo Conselho de um dos principais bancos ingleses; para identificar a estratégia criativa de Walt Disney; reabilitar jovens criminosos; treinar os operadores da American Express em habilidades de rapport no telefone; estudar a longevidade e produzir anúncios impactantes.

A PNL reconhece a importância da fisiologia em mudar e sustentar os estados internos. Isso significa, por exemplo, que se você está de mau humor, você tem a opção de criar bom humor para você.
Os benefícios são aparentes ... imagine-se sentindo poderoso quando vai visitar o gerente do banco, confiante antes de fazer uma apresentação, gostando quando seu companheiro tem o dia livre. Como você age de modo diferente? E como isso influencia os outros? Quando você está com mais recursos, as outras pessoas provavelmente também estarão.
Quer experimentar o gosto da PNL agora?

Tente uma pequena experiência. Olhe para cima, para o teto ou o céu, sorria, levante seus braços e ... tente ficar deprimido! Agora, baixe sua cabeça e olhe para baixo a sua direita, curve seus ombros e
tente ficar alegre. Difícil, não é? Que estado da mente você prefere? Você pode escolher qual experimentar, agora e a qualquer hora. E também não precisa passar o dia todo olhando para  o teto.

Escolha o estado que quer sentir. Ao reviver com força a ocasião em que experimentou essas sensações, você será capaz de ter agora este estado. Tenha certeza que você realmente está na situação: veja o que você via... ouça o que você ouvia lá e...sinta o que você sentiu... Segure isto por um minuto e AGORA, ele é seu!
Obviamente precisa mais para estar no controle dos seus estados internos e maneiras de reagir do que esse simples exercício. Contudo ele demonstra a extensão da autodeterminaçã o que poucos já conseguiram experimentar.

E SE VOCÊ PUDESSE?

Aqui temos outro exercício para tentar. Cada vez que você pegar alguém dizendo "Eu não posso..." tente dizer "E se você pudesse?" Perceba como ele TEM que se imaginar fazendo exatamente o que
ele disse que não podia! Naturalmente, você também pode sempre se fazer a mesma pergunta...!

APLICAÇÕES DA PNL

Talvez mais facilmente reconhecível tenha sido o uso da PNL na psicologia esportiva para ajudar a acessar aqueles estados da mente e do corpo necessários para assegurar a repetição do desempenho do pico. A chave é ser capaz de reproduzir o estado do apogeu no momento preciso exigido. Um atleta pode usar afirmações positivas como "Eu vou ganhar esta corrida", mas se uma vozinha na sua cabeça diz "Não tem jeito," não temos muita chance de sucesso. Com a PNL, a voz pode ser mudada para "Vá em frente!"

A Programação Neurolingüística também está sendo usada na educação para ensinar soletração e estratégias de aprendizagem altamente eficientes para as crianças. Você sabia que a maioria dos bons soletradores usa um método muito similar para soletrar? A PNL descobriu o COMO da boa soletração que pode ser ensinado em cerca de uma hora.Também na educação, os professores estão aprendendo como as crianças que classificam e armazenam visualmente a informação tem estratégias diferentes de aprendizado daquelas que classificam e armazenam a informação auditiva ou cinestesicamente (sensações internas). Ter essa informação permite o professor ajustar a sua linguagem pois assim o que ele diz pode ser compreendido por mais crianças.
Em campos diferentes, os médicos e os advogados estão fazendo uso das mesmas técnicas da PNL para, do mesmo modo, reunir informação de alta qualidade dos pacientes e clientes. A PNL é também usada para estudar como os sistemas de crenças influenciam as doenças. Está começando a ser percebido que a maneira como os médicos dão informações para os pacientes, tanto pode ser uma poderosa ferramenta para a recuperação deles como pode introduzir, sem perceber, um "vírus" no
pensamento deles. Em nenhum lugar é mais verdadeiro o axioma: "Se você acredita que algo é possível ou não... provavelmente você está certo!" do que na área da saúde. A PNL no desenvolvimento pessoal se foca no que você quer, como você quer ser, e como descobrir os recursos e atributos você já tem para ajudá–lo a fazer as mudanças. A PNL oferece uma abordagem radicalmente diferente da psicoterapia tradicional e métodos de aconselhamento que tendem a se
focar mais no problema e nas causas do que na solução. Ela também significa que melhorias dramáticas na vida das pessoas podem ser realizadas num período de tempo relativamente curto.

Uma das aplicações mais incomuns é o seu uso no ensino das habilidades para dirigir. Um recente estudo indica 66% menos acidentes para aqueles que tiveram um treinamento de dois dias de PNL do que no grupo de controle.

BENEFÍCIOS NOS NEGÓCIOS

Embora a PNL seja uma poderosa ferramenta para mudança no nível do individuo, os benefícios potenciais para os negócios e empresas podem ser nada mais do que extraordinários. Uma oportunidade perfeita para medir a eficiência da PNL numa organização ocorreu em 1986. Depois de empregar um consultor de PNL, o Exército dos Estados Unidos foi capaz de reduzir seu treinamento de tiro ao alvo com pequenas armas de 6 semanas para 3 dias com nenhum efeito danoso nos índices
de aprovação!

Nos negócios e na indústria, a PNL já está sendo usada para melhorar o desempenho das vendas, na tomada de decisão, nas habilidades de apresentação, em motivação, no controle do estresse, na formação de equipes, e em praticamente todas as áreas que você pensar. Membros da comunidade
empresarial treinados em PNL são preparados para se sobressaírem com suas próprias estratégias pessoais de sucesso, bem como incorporar fórmulas provadas da excelência de outros. De que maneira você gostaria de ter acesso à estratégia criativa de Walt Disney quando precisasse?

Você também pode aplicar as mesmas poderosas ferramentas e técnicas da PNL num nível macro dentro da sua corporação para que toda a organização tenha benefícios. Fiat na Itália é um exemplo muito importante. Por alguns anos eles empregaram experts da PNL para estudar os "líderes naturais" na sua organização pois assim essa habilidade de liderança especial poderia ser transferida aos outros. A Fiat está explorando em detalhes o que as outras empresas em geral estão percebendo. Um novo tipo de gerente e de líder para o novo século. Conceitos de identidade corporativa, visão, missão, e associar o individuo e a organização por meio de valores compartilhados estão apontando o caminho para o futuro.
E PARA FINALIZAR...

Existem muitas técnicas diferentes da PNL que você pode usar para se aperfeiçoar e aos outros. Você pode controlar e escolher a sua vida de uma maneira que você só sonhou, antes da PNL. E esse artigo é somente uma amostra do que é possível. A PNL pode capacitá-lo a realizar aquelas metas profissionais e pessoais que você deseja, para mantê-lo atualizado na última tecnologia de mudança, para gerenciar sua própria vida, e para você ter a excelência e as habilidades de qualquer um que você já tiver admirado.

Como Anthony Robbins gosta muito de dizer "O que você faria se soubesse que não vai falhar"?




quarta-feira, 15 de agosto de 2018

PNL: A Ciência da Excelência - A Arte da Mudança - Parte I


James Lawley e Penny Tompkins
A PNL tem certas máximas, duas das quais são:
"Se você sempre faz a mesma coisa, vai obter sempre o mesmo resultado!"
"Se o que você está fazendo não está dando certo – faça algo diferente."

"Sim, mas como"? você poderia perguntar.
Ao contrário de outras abordagens que dizem O QUE você precisa fazer, a PNL é a tecnologia do COMO. Ela diz e mostra COMO alcançar o que você quer e COMO se tornar aquela pessoa que alcança as metas que você quer. Desta maneira você poderá ter agora o sucesso pessoal que tanto quer!

Com a PNL nós podemos escolher o que queremos mudar, e como queremos fazer essa mudança.
A minha introdução à PNL foi com um amigo nos Estados Unidos cujas vendas haviam saltado 40% em um ano após seu treinamento em PNL. Depois de algumas pesquisas, eu decidi fazer um treinamento de PNL, pensando "Se esse "remédio" funciona, qualquer um pode fazer isso". A fim de testar os princípios da PNL e me convencer do seu mérito, eu decidi aplicar as técnicas ao meu peso – um problema de longa duração. Tendo feito dieta toda a minha vida, eu estava convencido que "regime deixa você gordo". Então a comida e o tamanho do corpo tinham algo a ver com a mente. Joguei fora a minha balança. E, sem perigo e sem esforço, perdi vinte quilos, eu que pesava 120 quilos nos últimos dois anos.

Como foi que funcionou? Pela aplicação da PNL e examinando minhas crenças, capacidades e comportamentos sobre a minha comida. Uma parte importante desse processo, e que me surpreendeu, foi constatar que eu me beneficiava por estar com excesso de peso. Logo que eu me tornei consciente disso, a PNL forneceu as ferramentas pelas quais eu podia satisfazer esses benefícios de maneira mais saudáveis e emagrecendo. Os métodos que eu apliquei para atingir meu tamanho natural podem ser aplicados em muitas áreas: para criar confiança, motivação, vendas, melhorar a memória, desempenho atlético, aprendizado de estratégias – para qualquer coisa que os humanos fazem e
querem saber COMO fazer melhor. Existe um ditado "Se isso funciona, deve ser PNL!"

O INÍCIO

No início de 1970, enquanto Tom Peters estudava a excelência nas organizações e procurava as estratégias vencedoras, um lingüista, John Grinder, e um matemático, Richard Bandler, estudavam as pessoas que eram excelentes comunicadores e peritos em mudança pessoal. "Qual é a diferença entre alguém que é apenas competente e alguém que se distingue na mesma habilidade"? era a pergunta feita por Grinder e Bandler. As respostas produziram a PNL: A Ciência da Excelênciam, A Arte da Mudança.

ANTHONY ROBBINS

Mais e mais pessoas estão começando a perceber o impacto que a PNL pode fazer na sua vida. Por exemplo, o principal treinador de performance, Anthony Robbins diz "Eu acho que uma pessoa especial, admirada por todos, foi o cavalheiro chamado Dr. John Grinder, que criou a ciência da mudança, e que foi chamada de programação neurolingüística. Foi uma das coisas que me deu a minha vantagem competitiva. Eu acho que a vantagem número um é a tecnologia da mudança".

Outros, também, reconheceram o poder da PNL. A revista Time informa: "A PNL tem potencial armazenado para o tratamento de problemas individuais e se tornou o programa e a tecnologia para o auto-aperfeiçoamento em todos os sentidos."

O QUE É PNL?

PNL significa Programação Neurolingüística e inclui os três componentes mais influentes envolvidos em produzir experiência humana: a neurologia, a linguagem e o padrão. Nós estamos em contato com o mundo exterior através dos nossos cinco sentidos: visão, audição, tato, olfato e paladar. A nossa neurologia recebe estímulos externos e os representa para nós com um conjunto combinado de "representações internas". Essas formam a nossa experiência subjetiva. O nosso mundo interno é feito de imagens que nós enxergamos no nosso olho da "mente". São as conversas, diálogos e debates que temos com nós mesmos no pensamento. São as nossas sensações e emoções sobre as quais estamos acostumados a pensar que não temos nenhum controle. Um ponto importante a perceber é que a nossa experiência é criada pela combinação dessas representações internas que formam padrões ou "programas" que se repetem. Esses padrões (ou hábitos) ocorrem repetidas vezes a não ser que sejam interrompidos ou redirecionados. É como um disco que toca a mesma canção a menos que você grave outra.

PESQUISA CIENTIFICA

O Professor Gerald Edelman, ganhador do Nobel, passou trinta anos pesquisando como funciona o cérebro. Ele conclui que nós arrumamos as dez bilhões ou mais de células cerebrais e nervosas em grupos a fim de formar "mapas" que respondem pela nossa experiência. Esses mapas nos permitem
compreender o mundo e a nós mesmos. As conexões entre as células que são frequentemente estimuladas irão sobreviver e prosperar; as outras atrofiam ou são desviadas para outras tarefas. Ele declara: "É um caso simples de contatos que quando funcionam de novo, funcionam melhor". A fobia é um bom exemplo de como funciona o cérebro. Uma situação particular ou um gatilho (altura, aranhas, etc.) produz uma reação física particularmente forte (palmas suadas, respiração acelerada, pânico, etc.). O cérebro aprende rapidamente e depois disso, cada vez que a pessoa é apresentada ao mesmo estimulo, seu corpo sabe que tem que ter a mesma reação. O surpreendente é que as pessoas com fobias NUNCA se esquecem de ter essa reação. Isso é uma estratégia de aprendizado do passado perfeita! Estivemos recentemente nos Alpes Austríacos, e lá encontramos uma mulher que estava esquiando nas suas férias e que tinha medo de altura! Ir do hotel até o topo da montanha exigia uma viagem de 20 minutos na gôndola aérea. Desnecessário dizer que ela não estava apreciando suas férias. Ao conduzi-la pela Cura da Fobia da PNL, em cerca de uma hora sua reação medrosa se tornou apenas outra memória; apesar de que ela ainda tivesse que se convencer. O acaso porém se fez presente, pois no dia seguinte o sistema de gôndolas quebrou e a deixou suspensa a dezenas de metros de altura no ar. Para sua grande surpresa, embora não tenha sido uma experiência agradável, ela não "lembrou" de ter a velha reação fóbica. AGORA sim, ela estava convencida!

Do mesmo modo que esse padrão automático nos cria dificuldades na fobia, ele funciona a nosso favor quando nós amarramos os cordões do sapato, dirigimos o carro, ou fazemos um milhão de outras coisas sem ter que pensar. Por isto a PNL é a exploração de COMO cada indivíduo experimenta o seu próprio conjunto único de padrões. Com a PNL nós podemos identificar que padrões nos dão recursos e nos são úteis. Então podemos escolher acrescentar novos padrões ao nosso comportamento e sermos mais produtivos naquelas situações onde tivemos baixa performance no passado. Se nós entendemos como nós somos da maneira que somos, podemos criar escolha sobre como nós gostaríamos de ser no futuro.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Venha provar meu brunch, saiba que eu tenho approach!

Excelente artigo do André Moragas editado no "O Globo"! Retrata bem o dia a dia da comunicação que reina no mundo corporativo. Só para ilustrar, tempos atrás, eu estava em uma prefeitura "politicamente correta" e comentei espontaneamente que "já poderíamos organizar um workshop". Fui repreendido pela Coordenadora "politicamente correta" do projeto que eu deveria expressar oficina de trabalho e não workshop. Concordei imediatamente com ela. Algumas semanas depois, ao cruzar com ela no corredor, fui notificado: "Carlos, pode startar o projeto!",...

Blog Na hora do cafezinho - André Moragas - 02.02.2011

Outro dia conversava com um conhecido sobre a importância do inglês no mundo corporativo e fui surpreendido com a seguinte frase: “meu writing é muito bom, mas meu speaking precisa melhorar”. Nesse momento, pensei: para o mundo que eu quero descer! Não tenho dúvidas (e é melhor que ninguém tenha) de que saber inglês hoje é requisito básico de qualquer currículo que se preze. Mas o que não consigo engolir são pessoas usando expressões em inglês no meio de uma conversa para demonstrar algum tipo de competência.

Não se engane, quem sabe inglês e se garante não precisa ficar introduzindo palavras no meio de uma fala só para demonstrar que sabe. Na minha sincera opinião, substituir palavras em português por expressões em inglês beira o pedantismo e a arrogância, e demonstra apenas a insegurança do interlocutor.

O problema é que essa invasão americana é cada vez mais comum na nossa língua (uma das mais ricas do mundo em vocabulário). Nessas horas (quando ouço esse tipo de expressão), dá vontade decopiar o mestre Ancelmo Gois, que escreve com muita propriedade contra essa mania corporativa: “writing e speaking é o cacete!”.

Não faz muito tempo participei de um grupo de trabalho de comunicação e ouvi a seguinte pérola:“vamos preparar um position paper, baseado no Questions and Answers (Q&A). Assim, fica mais fácil propor um speech adequado ao reporting que foi feito no passado. Depois realizamos o media training e startamos o projeto”. Pronto, foi o que eu precisava para levantar dizendo que iria ao banheiro e não voltar mais. É claro que depois, sem o “papagaio americanizado” na sala, fechamos um texto de resumo e preparamos o discurso necessário, além de um documento com perguntas e respostas prováveis sobre o assunto.

O engraçado é que, em geral, esse comportamento ficava restrito ao pessoal de marketing e comunicação. Mas ultimamente, em qualquer ambiente, independentemente da formação do profissional, a utilização de expressões americanas é cada vez mais frequente. Tenho algumas teorias para explicar o fenômeno, desde a utilização cada vez mais frequente da internet e redes sociais à interação crescente dos mercados. Mas, para mim, nada é tão forte quanto a necessidade dos profissionais inseguros de parecerem inteligentes diante da platéia. Assim como o power point (que pode ser traduzido para “apresentação”), a utilização de expressões em inglês sacadas de dentro da cartola no meio de um discurso em português vem transformando-se em uma bengala poderosa para profissionais inseguros e despreparados.

Ok ou tá bom (pronto, já comecei a traduzir). Já estou até imaginando algumas pessoas criticando o texto e dizendo que não há como traduzir algumas expressões e que o seu uso em inglês é totalmente necessário. Duvido. Se não há tradução literal da palavra, certamente há a possibilidade de traduzir o conceito do que ela significa. Ah, mas vai ter aquele que vai defender que a expressão já se tornou comum nos mercados e que não há como deixar de usá-las. Podendo, inclusive, dificultar o entendimento de conversas. Também duvido. Não consigo imaginar uma expressão em inglês traduzida para o português que dificulte a compreensão dos interlocutores. Bom, sem alguém tiver alguma, apresente-me, por favor.

Para fechar, a utilização ou não desse tipo de expressão, descaracterizando a nossa língua, mostra a grande diferença entre “colonizado” e “colonizadores”.

Recentemente estive na Espanha e uma das coisas que mais me impressionaram foi como os espanhóis defendem sua língua. E como dificilmente permitem expressões de qualquer outro idioma no seu dia a dia. Já nós...


sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Senhoras e Senhores: lamento ter que informar que, neste exato momento, uma moça brasileira está morrendo.

Edito um artigo do poeta mineiro Roberto Drumond escrito para a Folha de São Paulo no início dos anos 80. Interprete para 2018!

Senhoras e Senhores: lamento ter que informar que, neste exato momento, uma moça brasileira está morrendo.

Ei-la no calçadão da avenida, a cabeça deitada na perna do pai, no meio de buzinas, do vozerio dos camelôs e dos cambistas que anunciam a sorte grande.

_mas ela é uma moça tão sem sorte, tem 18 anos, negros cabelos, pele morena e daqui a pouco vai morrer.

Não, não pensem que é uma moça que veio do nordeste, não. Ou que perdeu seus pertences numa cheia do sul, não. O nordeste da moça é por aqui mesmo: é onde desabam as tempestades, mas nunca chega a bonança.

Ao lado da moça que vai morrer, vítima de uma misteriosa doença, um menino, aprendiz de camelô e de trombadinha, tenta atrair a atenção dos que passam: diz que a moça vai virar santa. Mas todos apressam o passo e, pela expressão que fazem, é como se rezassem:
_São Joãozinho Trinta, santo e pecador da alegria brasileira, uma festa, cheia de plumas e paetês, nos dai hoje...

Ah, o São Joãozinho Trinta faz o milagre, porque logo ali adiante, na loja de discos, Pepeu Gomes canta em ritmo de festa, exala o seu lado feminino (que não fere o masculino) e dá um salve à alegria.

Quanto a mim, posto-me ao lado da moça e do seu pai, e fico ouvindo o diálogo dos dois. Que é assim:

Moça que está morrendo: _Pai,...
_O que é minha filha?
_Estou com vontade de comer geleia de maracujá, pai...
_Mas você nunca vai comer geleia de maracujá minha filha...
_Mas eu queria comer é geleia de maracujá, pai...
_Geleia de maracujá nem existe, minha filha...
_Existe, pai, escuta, pai...
_ O que é, minha filha?
_ Estou com vontade de dançar, pai...
_Mas você nunca gostou de dançar, minha filha...
_`Por isso mesmo, pai. Eu queria usar um vestido bonito. Um vestido que os homens iam me olhar e achar que eu era uma flor azul e verde...
_Mas você nunca foi uma flor, minha filha, por que agora você quer ser uma flor?
_Por isso mesmo, pai, porque eu nunca fui uma flor. Mas os homens iam me olhar e iam pensar numa flor...
_Você nunca falou assim antes, minha filha...
_ É, nunca falei. Eu queria dançar uma valsa, pai...
_Uma valsa, minha filha?
_É, pai...
_Mas você nunca dançou uma valsa antes, minha filha,...
_Por isso mesmo que eu queria dançar, pai...
_Está bem, minha filha...
_Está tocando uma valsa, pai...
_É, minha filha,...
_Está havendo uma festa, pai...
_Está minha filha...
_Todo o Brasil está na festa, pai?
_Está minha filha...
_Que bom, pai...


Senhoras e Senhores: lamento muito ter que informar que, nesse exato momento, enquanto Elba Ramalho canta na loja de discos e o Brasil parece feliz, uma moça brasileira acaba de morrer, deitada na perna do pai, mas se sentindo uma flor, uma rara flor do Brasil.