segunda-feira, 27 de abril de 2015

O efeito Wallenda!

O norte americano Warren Bennis, falecido em 2014, foi um dos maiores especialistas  em desenvolvimento de lideranças dos Estados Unidos. Foi um dos profetas da liderança e ficou conhecido pela frase – "Os gestores fazem as coisas de forma certa. Os líderes fazem as coisas certas".

Costumeiramente em suas palestras aplicava a figura do “Efeito Wallenda”, baseado no famoso equilibrista Karl Wallenda.

Karl Wallenda caminhava na corda bamba a grandes alturas sem qualquer proteção e sem redes de segurança. Wallenda dizia – “Andar na corda bamba é viver, todo o resto é esperar”.

Quando caiu da corda bamba em 1978 em Porto Rico, com consequências fatais, sua esposa ao ser entrevistada disse – “ O interessante sobre a queda é que pela primeira vez ele estava começando a pensar sobre a possibilidade de cair. Ele nunca tinha pensado nisso antes. Meu sentimento pessoal é que ele colocou toda sua energia buscando não cair, em vez de se concentrar no caminha na corda”.

Baseado nas entrevistas e pesquisas com grupos de executivos que estudou, Bennis relacionava o caso Wallenda em suas palestras. Muito raramente um executivo  mencionou a palavra fracasso. Mesmo na ocorrência de erros significativos. 

Líderes nunca tomam um revés como um fracasso, mas sim, 
como algo a partir do qual poderiam aprender

Bennis afirmava que isto não significa que estes indivíduos ignorassem riscos, mas, como Wallenda, caminhavam na corda bamba concentrando-se em seus objetivos e visão maiores.
  


quinta-feira, 23 de abril de 2015

Entendendo um pouco do Sistema Mercer

Semelhante ao Sistema Hay, o Sistema Mercer utiliza mundialmente o IPE (International Position Evaluation), que possui fatores comuns para avaliar todos os tipos de instituições. Permite efetuar comparações internas e externas e é aplicável em instituições de diferentes áreas, portes e regiões.

O Sistema IPE é composto de 5 fatores e 12 critérios. Cada um dos cinco fatores é divido em graus aos quais são atribuídos pontos que somados definem a classe ou grade de classificação final. Os 5 fatores são:

1. Impacto

- Dimensão da Instituição
- Natureza do Impacto
- Contribuição

Analisa a natureza do impacto de um cargo na sua área de responsabilidade em relação à estratégia da Instituição, sendo classificado pela respectiva contribuição para os resultados

2. Comunicação

- Comunicação
- Relacionamento

Analisa as capacidades de comunicação mais complexas que o cargo tem que utilizar frequentemente sendo classificado pelo contexto em que se realizam (dentro ou fora da Instituição)

3. Inovação

- Inovação
- Complexidade

Analisa o grau de inovação requerido pelo cargo em processos, serviços e/ou produtos sendo classificado pelo nível de complexidade inerente

4. Conhecimento
  
- Conhecimento
- Equipe
- Âmbito

Analisa a natureza do conhecimento exigido pelo cargo para cumprir os objetivos e criar valor sendo classificado pela dimensão da equipe e pelo contexto geográfico de aplicação do conhecimento

5. Risco

- Risco
- Ambiente

Analisa o nível de risco (dano mental, físico ou incapacitante) que o titular do cargo pode sofrer bem como o grau a que está exposto (ambiente)


Carlos Alberto de Campos Salles
Consultor de Recursos Humanos
 Independente


segunda-feira, 6 de abril de 2015

Eu acredito em resultados, não em duendes!

Avaliar o que deu certo, o que não deu certo, por que deu certo e por que não deu certo. No mundo corporativo que vivemos apenas uma palavra realmente interessa: resultado! “Eu acredito em resultados, não em duendes!”

Gestão de recursos humanos permite uma série infindável de formulações e novas idéias todo o tempo. Resguardando a parte legal, todo o resto está à disposição daqueles que querem fazer uma nova estória nesse universo.

Quantas vezes você criou alguma coisa e quantas vezes você pediu coisas em sites de relacionamento?

Quem ganhou? Você ou seus pedidos? Eu não sou contra ninguém pedir alguma coisa em sites de relacionamento, sou contra é o pedir pelo pedir. Basta um colega fazer alguma solicitação, não importando a simplicidade ou a complexidade da mesma, em algumas horas temos uma enxurrada de “eu também quero”!

Novas idéias todo o tempo à parte, o perigo para a credibilidade é a síndrome da ânsia pelos modismos de gestão. Além de resultados cada vez mais imediatos, as instituições não perdem tempo na hora de adotar, muitas vezes sem uma avaliação criteriosa, o que acreditam serem soluções promissoras.

Não é de hoje que o mundo corporativo é invadido por todo tipo de técnicas de recursos humanos em evidência. Desde os gurus e seus manuais de auto ajuda e palestras motivacionais com vencedores das mais variadas competições e esportistas de sucesso até por programas de treinamento e desenvolvimento ao ar livre. Só para lembrar a “novidade”, um dos primeiros programas vivenciais ao ar livre que se tem notícia foi desenvolvido na segunda guerra mundial pela marinha britânica. Tinha como objetivo simular desafios para o desenvolvimento da auto estima e confiança dos fuzileiros navais britânicos.

A prática do Coaching também tornou-se muito popular. Algumas pessoas, sem a menor qualificação técnica e profissional, estão empobrecendo o processo que deve ser utilizado apenas por um profissional realmente habilitado com ferramentas e metodologias testadas e aprovadas.

Pessoas inabilitadas buscam idéias no ar e as lançam no mundo corporativo sem a menor análise de validade e sustentabilidade. De repente todo mundo sabia fazer, sabia analisar e sabia validar. “Nós garantimos resultados em apenas um mês!”. Como bem escreveu o Consultor Júlio Bin, sobre a prática de treinamento e desenvolvimento ao ar livre. O que vemos são pessoas inexperientes, aproveitando-se da inexistência de leis e regras, para exercitar suas inabilidades com grupos de pessoas de médias e grandes empresas, seduzidas pelo apelo de atividades ao ar livre. Nesse caso o despreparo é também dos profissionais que encomendam esses serviços. Essa prática, muitas vezes frustrante, gera no médio e longo prazo uma desconfortável crise de credibilidade.

Na linguagem de RH essa prática é conhecida como outdoor training. Nada como um final de semana em um hotel fazenda dando as mãos uns aos outros, subindo em árvores, atirando-se na lama, participando de rafting e ouvindo palestras sobre a importância do trabalho em equipe e a superação de desafios. Gestores adoram isso!!??

Roteiro Incidental para uma reflexão básica

- O levantamento de necessidades de capacitação, em todo o âmbito da empresa, foi bem feito?  Está atualizado? As descrições de cargo e competências estão bem definidas? Estão focadas nos processos?

Ao desenhar um mapa de levantamento de necessidades de capacitação, fundamentado pelas técnicas e pelo modelo conceitual de gestão de competências, que um determinado cargo exige, e comparar esse modelo com as competências que efetivamente possui o funcionário, podem mostrar de imediato, a lacuna existente entre o desempenho atual e o que deveria ser, possibilitando, dessa forma, a identificação adequada e correta das necessidades de capacitação a serem cobertas.

- O pessoal de RH, encantado com a oportunidade de um evento (finalmente, até que enfim, estava mais que na hora!...), precipitou-se na escolha do tema ou da consultoria?

- O Consultor não conduziu nem concentrou as atividades em objetivos certificáveis e alinhados com os valores e com a cultura da empresa (viajou demais...)? Será que o pessoal de RH informou a ele, os valores e a cultura da empresa?

- O participante curtiu muito mais o tempinho longe do “chefe” do que o processo de aprendizagem em si?

- O Presidente e a Direção da empresa interessaram-se de fato e acompanharam todo o processo?

Voltando...

É bom ressaltar que existem técnicas e/ou profissionais consistentes e de muito bom conteúdo que realmente trazem resultados eficientes tanto no aprimoramento dos funcionários quanto no desempenho das instituições. Mas é fato que não raro profissionais de RH de instituições contratantes muitas vezes não sabem como acompanhar e mensurar o efeito desses treinamentos. Nem a consultoria contratada ajudou muito nisso.

Atividades com equipes ou indivíduos colocados em competição ou para enfrentar desafios, muitas vezes geram situações constrangedoras e chatas. Muitas vezes, o estímulo ao trabalho em equipe se contrapõe ao estímulo pelo desempenho individual, que muitas instituições apregoam.

Fazer Simples (Make it Simple) é uma das Competências Essenciais (Core Competencies) de uma grande multinacional americana, sendo parte integrante da metodologia de Avaliação de Desempenho. Significa senso crítico para o cumprimento de metas e objetivos e praticidade na formulação e validação de projetos em todas as áreas da empresa. Pense nisso!

Carlos Alberto de Campos Salles
Consultor  de RH 
 Sempre Independente e Aposentado

terça-feira, 31 de março de 2015

Especialistas indicam 20 perguntas que você deve fazer ao recrutador antes de aceitar um convite de emprego!

Você acaba de ser selecionado para um cargo em uma nova empresa. Vamos supor que você estava há 6 meses disponível no mercado e eis que apareceu uma nova oportunidade. Sejamos práticos, após ouvir pelo telefone, "tenho boas notícias, você foi aprovado para a vaga!", no dia seguinte na empresa, ao levar seus documentos, você vai fazer um montão de perguntas ao selecionador? Ou mesmo durante a entrevista de seleção?  

Honestamente, creio que candidatos que perguntam muito durante uma entrevista, podem perder pontos dependendo do perfil do selecionador ou da própria vaga. O melhor é pesquisar bastante sobre a empresa na internet ou em sua rede de amigos. Essa é minha opinião, o resto é circunstancial! 
Revista Você S/A - por Luis Pereira
A entrevista de emprego virou um processo rigoroso, em que as empresas deslocam uma série de profissionais para avaliar e falar com o candidato — um diretor, uma pessoa de RH e o chefe imediato. Isso ocorre porque elas querem ter certeza de estar contratando a pessoa certa. O candidato também tem o direito — e a responsabilidade — de saber se ele vai dar certo na vaga. Para isso, deve aproveitar a entrevista de emprego para se informar. Isso se faz perguntando. Ouvimos o coach Cláudio Yusta e os headhunters Luiz Carlos Cabrera, da Amrop Panelli Motta Cabrera, e Sheila Nowicki para selecionar 20 perguntas que você deve fazer antes de aceitar um convite de emprego.

Perguntas pessoais

O enfoque é você e o objetivo é entender por que foi o escolhido entre outros candidatos. as questões servem para descobrir a imagem que a empresa faz de seu perfil profissional.

 1. Por que você me escolheu?

 2. Por que o cargo ficou vago? o que ocorreu com o profissional que o ocupava?

 3. Qual é o principal conselho que você pode me dar para ter bom desempenho?

 4. Que dicas você me daria para uma melhor adaptação?

 5. Quais são as possibilidades de crescimento profissional que eu tenho dentro dessa organização?

Sobre a expectativa do chefe

Há expectativas que estão na cabeça de seu chefe que ele não conseguirá dizer com facilidade. Entender essas coisas são o segredo de um inicio mais tranquilo no emprego. E, se você acha que não é bom em algo, conte para ele também.

6. O que você espera de mim nessa posição?

7. Existem mudanças que você quer que eu faça?

8. Quais são os pontos mais importantes que você vai considerar na minha avaliação no final do ano?

9. Quais características fazem um profissional ser excelente na sua equipe?

10. Qual seu estilo pessoal de gestão? Esse mesmo estilo é adotado na empresa?

11. Quas tipos de comportamento você considera fundamentais para eu ser visto com um profissional de sucesso, além do resultado?

Sobre o cargo

Aqui, a meta é detectar a vi­são que a empresa e seu che­fe imediato têm sobre o cargo que lhe foi oferecido. É impor­tante ter uma clareza razoá­vel do desafio que o espera e verificar se o trabalho condiz com suas competências e aspirações de carreira.

12. Quais são os principais desafios da posição?

13. Quais são as ações imediatas que você espera que eu tome e qual é o cronograma?

14. Fale da equipe que eu vou liderar.

15. Quanto tempo eu tenho para apresentar um plano de ação?

16. Quais as dificuldades que você enfrenta e eu vou ter de enfrentar na empresa e na área?

Sobre a cultura da empresa

Nas entrevistas que você fizer, ten­te entender como a companhia é percebida pelas pessoas que lá trabalham. Veja qual é a cultura e quais são os valores considerados importantes. Compare as respostas que cada profissional dá a você e se elas têm consistência entre si.

17. Quais os valores que você detectou em mim que combinam com os da empresa?

18. Na sua trajetória nessa companhia, quais valores que você aprendeu são importantes para mim?

19. Como você vê a empresa daqui a cinco anos?

20. Quais tipos de comportamento são inadmissíveis na cultura dessa empresa?



quarta-feira, 25 de março de 2015

Movimento Sem Noção!

Bastou um "colega" pedir uma coisa qualquer que, imediatamente, um montão de gente escreve o famoso "eu também quero". Muitas vezes sem saber o que foi pedido. Afora os pedidos absurdos que transformam tantos profissionais em Analistas e Gestores de "Obra Feita"!.

Concordo com uma colega quando, sabiamente, comentou mais ou menos isso: "Sim, posso lhe ajudar, eu sei fazer e meus honorários são...!".

Minha maior pérola encontrada até o momento foi a seguinte: "Eu fui nomeada Gerente de RH em minha empresa. Alguém do Grupo pode me indicar livros de Gerente de RH?". Alguém em sã consciência julga que na empresa da "colega" o RH um dia vai virar estratégico?

Informal e crítico esse bom artigo do Consultor Rogério Martins
Vamos ao artigo!

Você já reparou como existem cada vez mais pessoas "sem noção"?

Elas estão em todas os lugares: no trabalho, no cinema, na internet, na roda de amigos, no trânsito e por aí vai.

As atitudes destas pessoas "sem noção" vão do básico de furar fila e achar que ninguém está nem aí, até participar de grupos virtuais e pedir de tudo que se possa imaginar.

Aproveitando este último exemplo vou contar algumas coisas que tenho visto em alguns grupos que participo pela internet, grupos de estudos e discussão em áreas específicas.

Tem gente que escreve assim: "preciso de um formulário de avaliação de desempenho para hoje. Fulano de Tal". Isso é um pedido ou uma ordem? Fulano de Tal de onde? De qual empresa? Qual a aplicabilidade deste formulário na empresa?

Outro dia vejo a seguinte colocação: "Gostaria de pedir ajuda de vocês, ultimamente tenho pensado em mudar de área. Hoje trabalho na Área X, mas quero fazer coisas novas. Estou pensando em alguma área que no futuro precisará de profissionais capacitados e uma área que vejo que crescerá bastante é a Área Y. O que vocês acham, é melhor fazer um curso de Pós na área Y ou um curso de Graduação? Gostaria de ser bem assertiva na minha escolha. Por isso, peço ajuda vocês." A pessoa quer consultoria grátis para alguém que você não conhece, não sabe o histórico, não tem noção de suas capacitações. A coisa vira "chutômetro". Então, eu sugiro que você faça...

Mais uma que li recentemente: "Por gentileza estou fazendo uma pesquisa e gostaria de saber de vocês qual o piso salarial e média salarial na empresa e quais os benefícios que vocês oferecem.agradeço a todos pela ajuda. Beltrana de Tal". Veja bem, a pessoa pede algo que é confidencial, restrito às empresas, de modo totalmente informal, em um grupo aberto e nem coloca o nome da própria empresa, telefone para contato... Você acha que alguém irá responder? As próprias empresas que atuam no segmento de pesquisa salarial tem dificuldade em obter dados de modo clássico, imagine assim então. Isso é uma pessoa "sem noção".

Assim não dá! A internet veio para facilitar a vida das pessoas, aproximar os distantes, promover a democratização da informação, mas desse jeito tá ficando difícil. Se eu fosse colocar aqui todos os exemplos que tenho da última semana, esse artigo ficaria inelegível de tanta gente "sem noção". Fora os exemplos do dia-a-dia que não estou citando.

Quando escrevo sobre isso tem pessoas que torcem o nariz. Acham que estou sendo duro. Porém, já imaginou se as pessoas começarem a pedir indicações de procedimentos cirúrgicos nesses tipos de grupos. Algo assim: "estou pensando em fazer uma cirurgia para aumentar meu lábio, mas estou em dúvida sobre qual o melhor procedimento. Vocês podem me ajudar? Ah, também não posso pagar muito, pois fiz outra cirurgia recente para alongar meu dedo do pé e foi muito cara."

Será que veremos isso no futuro? Espero que não, mas pelo andar da carruagem é bem possível que esta minha idéia comece a coçar a cabecinha de algum "sem noção" de plantão...

segunda-feira, 16 de março de 2015

Vire a mesa. Vire o jogo. Chute o balde!

Recentemente assisti um filme, Whyplash. Um belo filme. Especialistas em comportamento e planejamento de carreira devem ou deveriam ter gostado. Não é minha intenção rabiscar mais um artigo sobre as “querelas da vida corporativa” e nem do desgastado clichê “lições que você pode extrair do filme...”. Logo, logo aparecerão artigos assim. Portanto, quero rabiscar apenas sobre um jovem comum, com seus sonhos e limitações. Um jovem que não pode ser rotulado como sendo da geração Y, apesar de ter apenas 19 anos. Jovens da geração Y costumam mudar de emprego quando ouvem o primeiro não ou quando o superior não lhe dá a atenção que julgam merecer. A geração Y vive com a “faca e o smartphone na mão”. Andrew vive com a "faca e o sonho na mão". 

A geração Y é um extrato da sociedade que teve o privilégio de ter sido bem cuidada, bem alimentada e programada desde a infância para atuar com inúmeras atividades, frequentar as melhores universidades e realizar cursos da melhor qualidade, locais e no exterior. Isso significa, por obrigação, que são voltados para o alto desempenho. Quando se fala de Geração Y, o tema é tratado de forma quase uniforme, o que contradiz um pouco a Teoria das Competências de David McClelland, na qual, não necessariamente, os melhores desempenhos escolares ditam o êxito pessoal e/ou profissional.

Hoje os trabalhadores mais jovens, de uma maneira geral, mostram-se mais interessados em fazer com que seu trabalho permita acomodar sua vida pessoal, incluindo-se aí, sua família. Querem trabalhar, mas não querem que o trabalho dite sua vida. Como estão se comportando os jovens Y´s nos países com mercado recessivo de trabalho? Gosto muito da maneira de pensar dessa geração porém, como diz o ditado, “quando a bota aperta o calo...”.

Voltando ao tema dos rabiscos, o comportamento do professor da Escola de Música lembra muito o comportamento do Sargento do filme de Stanley Kubrick, Nascido para Matar. No filme de Kubrick, um sargento treina de forma fanática e sádica os recrutas em uma base de treinamentos, na intenção de transformá-los em máquinas de guerra para combater na Guerra do Vietnã. Tal qual o professor. 

Comparado aos dois comportamentos, O Diabo veste Prada é uma versão mais branda da relação de poder. Porém, todos querem ter os melhores integrantes em suas equipes. Por isso buscam a extrema perfeição. No reality show MasterChef, acontece algo semelhante quando os julgadores vão a campo e nem sempre os participantes ouvem o que gostariam de ouvir e nem da forma como ouvem. O jovem do filme Andrew, ao buscar seu sonho, ser um dos melhores bateristas de sua geração e ter seu nome celebrado pela crítica, fica abatido quando declarado medíocre pelo professor. 

No mundo corporativo temos dificuldades em lidar com aquilo que se chama assédio moral. Grande parte dos trabalhadores, por conta do desemprego, prefere submeter-se ao assédio moral a reclamar seus direitos nas instâncias legais. Em proporções mínimas ou elevadas, todos nós, em algum momento, já sofremos assédio moral e relevamos. Ou nem percebemos que se tratava de assedio moral ou não queríamos perceber (lembre-se da bota...). 

Não vou mais falar do filme, pois é um filme que deve ser assistidoSó comento que o momento propiciou ao Andrew virar e revirar tudo que lhe aconteceu e aprender a lidar com o inesperado.

Na Copa do Mundo nossos "meninos" não foram preparados para superar adversidades ou participar de jogos que na concepção das estatísticas seriam tranquilos.Chorar e rezar não ganha jogo. Ter atitude, conhecer os limites e saber lidar com as competências disponíveis podem fazer ou amenizar a diferença.

Não se abata quando lhe julgarem pequeno, sem qualificação ou o tradicional "seu perfil não é adequado". Vá à luta e supere as expectativas. Vire a mesa. Vire o jogo. Surpreenda a você mesmo. 

Diante das adversidades corporativas ou quando seu superior fala mais alto do que devia, tenha a capacidade de permanecer funcionalmente ativo em uma sociedade que exige um ser humano lúcido e emocionalmente estruturado!


Carlos Alberto de Campos Salles
Consultor de Recursos Humanos
Independente
Remuneração - Gestão de Desempenho - Competências



terça-feira, 10 de março de 2015

No país dos coxinhas e petinhas!

"Escrevi esse artigo em 2015 de tão irritante que estava o momento político. Depois de dois anos começou a aparecer no blog como dos mais lidos da semana. O Grupo Governista da época, nas eleições de 2014, me vendeu um país que não existia e talvez nunca tenha existido pela rapidez como veio abaixo. Uma vez afirmei que a esquerda pertence aos poetas enquanto esquerda. Uma vez no poder, cria-se a corte e uma militância que vive das migalhas atiradas" 

Tanto o Grupo Governista quanto o Grupo Não Governista são alvos de ataques insanos nas redes sociais e na mídia. A imprensa anos atrás era muito questionada porque não comentava as matérias, apenas as lia, ou transmitia como queiram. Os artistas eram questionados porque não se engajavam nas realidades sociais. Hoje a imprensa comenta e os artistas se engajam. Em sua maioria maciça, os comentários contra esta ou aquela imprensa, contra este ou aquele artista, quando se manifestam, são movidos por raiva, ódio e quase intolerância. Não existe um “respeitar” a opinião do outro. Não pode. Você não pode me questionar. Quem é você para me questionar? 

 O Grupo Governista que tinha o apoio de todas as forças deste país em 2003 começou a perdê-la a partir de fevereiro de 2005 quando demonstrou que era “mais do mesmo”. Até as últimas eleições, a oposição se comportava no mesmo estilo do antigo MDB, ou seja, oposição consentida. A criminalidade dos “pés de chinelo” aumentou sensivelmente (matar por matar para garantir o crackinho), a corrupção que sempre houve, porém discreta, mostrou caras e garras e o desrespeito à coisa pública virou prática comum. Lembro que na campanha presidencial de 2010 a alta mandatária eleita afirmava que iria combater com unhas e dentes o avanço do consumo do crack.

Ninguém mais respeita a coisa pública porque a coisa pública não respeita mais ninguém


Se sou petinha e apoio o Grupo Governista deve ser porque tenho interesse pessoal, sou comissionado e sou massa de manobra. Se sou coxinha e apoio o Grupo não Governista deve ser porque pertenço à elite branca que quer a revogação dos benefícios sociais e a volta do Raimundo como um simplório fazedor de “bicos” e não como profissional qualificado. Pasteurização total como o amarelado artigo do Juca Kfouri. Se ele escreveu então é novidade. Por elite branca entenda que são todos os contrários aos petinhas, não importando a renda familiar, a cor e a religião. Até perdi um amigo de respeito no Face porque contra argumentei uma opinião dele. Não soube ser democrático, só sabia ser admirado

A convocação para o dia 15 de março ganhou outra convocação para o dia 13. Clima de decisão Flamengo e Fluminense, Palmeiras e Corinthians, Cruzeiro e Atlético, Grêmio e Internacional ou Bahia e Vitória. Black blocs de plantão e a serviço das duas convocações. 

Penso que o que queremos é a ampla, total e irrestrita moralização pública e política no país dos coxinhas e petinhas. Sem mentiras e chantagens emocionais. O fim dos discursos governistas e não governistas pasteurizados, repetitivos e muitas vezes sem o menor fundamento e um grande, mas um grande abraço coletivo.

Em janeiro de 2003 o Brasil estava pronto para a grande e suprema chegada ao futuro e o novo Grupo Governista tinha a faca e o queijo nas mãos. Penso que vai demorar muito para termos o mesmo clima que tínhamos naquele saudoso janeiro. 

Os politburos instalados na América Latina tem o mesmo estilão. Cesta básica ou quase básica para a militância. Os não militantes que se “virem nos 30!”