RHecados diários: O que fazer quando o discurso de Recursos Humanos costuma a ser diferente do discurso de alguns gestores? Busque a concordância e realinhe o foco!

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

"Meus caros colegas de RH, é impressão minha ou a mensagem é: Minta!"

RHECICLANDO é um espaço para vivenciar as dificuldades e as virtudes em Gestão de RH. 

Todos os depoimentos são extraídos de grupos de redes sociais e os nomes das pessoas e das empresas envolvidas omitidos para preservar a privacidade. 

Os textos são mantidos no original

O objetivo é criar um fórum permanente do cotidiano através de depoimentos reais para, quem sabe, buscar melhorias contínuas no "Rheciclar RH!" 

Se você quiser enviar um depoimento ou uma situação vivenciada que mereça uma divulgação envie por e-mail que eu publico - Vamos melhorar a relação com o RH! Sorria, você está sendo filmado! 
Quer ler as anteriores? Navegue pelo marcador "RHECICLANDO"!

carh.consultoria@gmail.com

"Vejo diariamente na mídia de massa, nas revistas especializadas no discurso competente e na maioria dos lugares onde o assunto é mercado de trabalho, carreira e emprego, inclusive nas empresas, que não devemos dizer isso ou aquilo outro nas entrevistas, na empresa, que temos de mostrar a imagem do cidadão/trabalhador perfeito: feliz, bem-humorado, proativo, empreendedor, magro, jovem, comunicativo, equilibrado, organizado, inteligente, que está sempre contente, que nunca teve um chefe assediador, mal educado, que nunca foi humilhado e explorado no trabalho, que sempre saiu das empresas por conta de uma reestruturação ou porque não havia oportunidades de crescimento, que está sempre disposto a viajar pela empresa, a ficar até tarde sem receber extra, a usar o próprio carro para o trabalho, que deseja o tempo todo estudar e se qualificar, que não reclama, não chora, não fala mal de ninguém, que não fica descontente ou desmotivado com nada, que sabe equilibrar perfeitamente a vida familiar e o trabalho, que não chega atrasado e não adoece nunca....enfim a lista é tão grande que levaria horas."

"Meus caros colegas de RH é impressão minha ou a mensagem é: Minta!" 

"Entrevistamos 100 pessoas e parece que existe uma só personagem, ou seja, o candidato ideal, aquele que responde certinho ao CHA das entrevistas por competências, aos roteiros previsíveis dos processos seletivos, aquele normopata* que já decorou as respostas esperadas pelas empresas porque sabe que sua individualidade não é o que tem real valor. É triste perceber uma geração de pessoas empossadas desse discurso falso ensinado pelas cartilhas. Há uma negação da subjetividade que me assusta. Não estou defendendo que os trabalhadores devam dispensar as regras básicas do jogo ao buscarem uma recolocação, afinal, precisam ganhar a vida, mas questiono essa atitude de autômato disfarçada de profissional competente a que nos submetemos e a que submetemos aos outros quase sem notar. Parece haver uma recusa doentia nos RH´s e no discurso da gestão de pessoas a reconhecer a humanidade dos humanos. Depois para lidar com a tragédia que isso gera, criam-se os programas tão bem intencionados de Qualidade de Vida no Trabalho, programas de Coaching ou outras tantas maneiras de reforço da ideologia da competência e da eficiência que interpola a subjetividade e incentiva o faz de conta. Até quando?"

"Vejo 2 pontos:
1) as empresas estão pedindo muito dos candidatos. Querem o funcionário perfeito, isso faz com que realmente as pessoas mintam para não ficarem desempregadas.
 2) muitos meios divulgam artigos do tipo: o que falar em uma entrevista, as perguntas mais comuns de uma entrevista de emprego.... assim fica fácil ter o gabarito."
 
"Na minha opinião o mais importante é nossa capacidade intuitiva na hora da entrevista. A capacidade de ler o que está atrás do discurso.
 Uma pessoa que vem com o discurso decorado me leva a um questionamento: "por que ele precisa vir com o discurso decorado? o que ele está escondendo? ele está mentindo ou apenas ocultando algo? o que está ocultando? qual é seu medo?..." 
Isso vai me levar a uma visão mais aprofundada do candidato... . É importante aí a capacidade do entrevistador de levantar essas questões, desestabilizar o discurso decorado e encontrar o discurso solto".

"Pura realidade..., hoje, como vivemos na era do conhecimento, os seres humanos aprenderam a mentir com mais convicção."

"Sim, acredito que é preciso escutar o "discurso solto", mas o que me preocupa e a régua se mede o conteúdo do dizer mais verdadeiro das pessoas, a lente que olhamos o outro. 
Será que as empresas valorizam mais as pessoas que revelam suas verdadeiras opiniões, seus medos, fracassos, erros ou aquelas que se ajustam ao discurso da eficiência e do sucesso? Será que um recrutador me contraria se eu colocasse este ponto de vista em um processo seletivo? Ou ele preferiria alguém que só tivesse aplausos ao RH, ao empresário e aos manuais de gestão de pessoas? Olha que já fiz o teste... E de forma muito mais branda."


Nota do Blog - O termo normopata foi introduzido na psicanálise por Joyce McDougall para designar um tipo de paciente aparentemente bem adaptado e 'normal', diferentemente do neurótico e do psicótico, mas cuja análise chegava a um impasse em razão de sua impossibilidade de mergulhar no mundo interno, exigência básica para o trabalho analítico. A partir de sua própria experiência clínica, o autor trata da normopatia como uma formação decorrente de processos defensivos contra o risco de desorganizações psíquicas severas, o que exige cuidados analíticos 


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentem, da discussão nasce a sabedoria!